O trabalho pretende mapear a relação entre as práticas sociais de comunicação e a oralidade como regime privilegiado de processamento da informação no cotidiano da população brasileira. Ressalta a importância das mudanças no cenário da comunicação no país, a partir da popularização do rádio - dos anos 1930 até os anos 1950 - como período de sedimentação dos regimes orais em que se insere o público brasileiro até a contemporaneidade. A partir dessas práticas de comunicação e do entendimento da circularidade que envolve os regimes de oralidade e escrita, é possível entender como o público consumidor de informação, no Brasil, ao entrar em contato com as tecnologias dos meios, apreende, constrói a realidade e organiza seu pensamento, sua experiência, conhecimento e visões de mundo, os torna públicos ou socialmente conhecidos. O texto aponta para a importância de se considerarem as diferentes negociações e apropriações das mensagens entre o público e os meios de comunicação, através do método interpretativo dos vestígios ou "espaços em branco" deixados pelas textualidades múltiplas, como aquelas encontradas em documentos impressos, fonográficos e audiovisuais datados, como instrumentos para a reconstrução, no presente, das práticas culturais perpassadas pelo oral e o escrito.
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