Brasil
Este artículo explora los múltiples sentidos de la menstruación para el pueblo murui de la Amazonia colombiana. La menstruación emerge como una fuerza vital que agencia la formación de los cuerpos, pensamientos y habilidades de las mujeres, del colectivo y del territorio, movilizando la creación y circulación del conocimiento entre generaciones, géneros y especies. La menarca es explicada como una floración en la que el cuerpo de la joven se abre y produce olor, permitiendo que el conocimiento penetre, se incorpore y circule por medio de consejos, alientos, sustancias, olores y trabajo. Todo ello está mediado por relaciones de cuidado intergeneracionales e interespecies que componen el cuerpo-pensamiento de las mujeres y constituyen su fuerza, salud, autonomía y capacidad creativa a lo largo de la vida. El artículo argumenta que, en un contexto de cambios sociales, las narrativas de las abuelas sobre la experiencia de la menarca constituyen un tema de reflexión sobre las transformaciones recientes en las relaciones de género y en los vínculos intergeneracionales. Al mismo tiempo, orientan a las jóvenes indígenas en las habilidades y fortalezas necesarias para habitar el mundo actual con discernimiento, creatividad y autonomía. La investigación se basa en un trabajo etnográfico realizado en 2023 en la región de Leticia y en Bogotá (Colombia), a partir del cual se analizan narrativas orales recopiladas en conversaciones con sabedores y sabedoras murui. Además, el estudio se sustenta en la revisión de la literatura antropológica y en una trayectoria propia de investigación con la gente murui iniciada en 2003. El análisis se inscribe en debates antropológicos sobre corporalidad, género y cosmología amerindia y contribuye a una crítica situada de las formas coloniales de regulación de los cuerpos y saberes indígenas.
Este artigo explora os múltiplos sentidos da menstruação para o povo murui da Amazônia colombiana. A menstruação emerge como uma força vital que agencia a formação dos corpos, dos pensamentos e das habilidades das mulheres, do coletivo e do território, mobilizando a criação e a circulação do conhecimento entre gerações, gêneros e espécies. A menarca é explicada como uma floração, na qual o corpo da jovem se abre e produz cheiro, permitindo que o conhecimento penetre, seja incorporado e circule por meio de conselhos, sopros, substâncias, cheiros e trabalho. Tudo isso é mediado por relações de cuidado intergeracionais e interespécies que compõem o corpo-pensamento das mulheres e constituem sua força, saúde, autonomia e capacidade criativa ao longo da vida. Este artigo argumenta que, em um contexto de transformações sociais, as narrativas das anciãs sobre a experiência da menarca constituem um tema de reflexão sobre as recentes transformações nas relações de gênero e nos vínculos intergeracionais. Ao mesmo tempo, orientam as jovens indígenas quanto às habilidades e fortalezas necessárias para habitar o mundo atual com discernimento, criatividade e autonomia. A pesquisa baseia-se em trabalho etnográfico realizado em 2023 na região de Leticia e em Bogotá (Colômbia), a partir do qual são analisadas narrativas orais coletadas em conversas com sabedores e sabedoras murui. Além disso, o estudo fundamenta-se na revisão da literatura antropológica e em uma trajetória própria de pesquisa com o povo murui, iniciada em 2003. A análise insere-se nos debates antropológicos sobre corporalidade, gênero e cosmologia ameríndia e contribui para uma crítica situada das formas coloniais de regulação dos corpos e dos saberes indígenas.
This article explores the multiple meanings of menstruation among the Murui people of the Colombian Amazon. Menstruation emerges as a vital force that shapes women’s bodies, thoughts, and abilities, as well as those of the collective and the territory, fostering the creation and circulation of knowledge across generations, genders, and species. Menarche is understood as a flowering in which a young woman’s body opens and begins to give off a scent, allowing knowledge to enter, become embodied, and circulate through advice, breath, substances, scents, and work. These processes are mediated by intergenerational and interspecies relations of care that shape women’s body-thought and constitute their strength, health, autonomy, and creative capacity throughout their lives. In a context of social change, the article argues that grandmothers’ narratives of their experiences of menarche provide a means of reflecting on recent transformations in gender relations and intergenerational ties. They also guide young Indigenous women in developing the skills and strengths needed to navigate the contemporary world with discernment, creativity, and autonomy. The research draws on ethnographic fieldwork conducted in 2023 in the Leticia region and Bogotá, Colombia, and analyzes oral narratives gathered through conversations with Murui women and men recognized as knowledge holders. It also draws on a review of the anthropological literature and the author’s own research with the Murui, which began in 2003. The analysis engages with anthropological debates on embodiment, gender, and Amerindian cosmology and contributes to a situated critique of colonial forms of regulating Indigenous bodies and knowledge.
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