O consumo de alimentos ricos em microrganismos precede até mesmo a descoberta e identificação dos mesmos. Atualmente, com o aumento na compreensão sobre a microbiota e seus complexos mecanismos envolvidos no processo de saúde x doença do corpo humano, o consumo dos denominados probióticos entrou em vertiginosa expansão. Conceitualmente definidos como não patogênicos, os probióticos apresentam ainda alegações de saúde que variam da melhora da saúde intestinal à melhora do câncer e de doenças autoimunes, o que encoraja o seu consumo a partir de um a perspectiva de segurança e eficácia que, na prática, não existe. Embora apresentem possíveis benefícios à saúde intestinal, imunológica e metabólica, os resultados dos estudos são inconsistentes e variam conforme a cepa, dose e condição do indivíduo. Existem, em todas as regiões do globo, brechas regulatórias que favorecem produtores de probióticos, impulsionando um mercado bilionário que não tem como prioridade a segurança dos consumidores, a qualidade dos produtos e nem a comprovação das alegações fornecidas nas embalagens. Já foram identificadas populações de risco para o uso de probióticos, como recém-nascidos, idosos e imunossuprimidos e há registros de casos de infecções e possíveis transferências de genes de resistência bacteriana atribuídos ao consumo desses agentes. É premente este assunto seja abordado e disseminado afim de direcionar políticas públicas que garantam um mercado mais idôneo e voltado à segurança dos consumidores.
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