Brasil
This research article reflects on the work of the Instituto Costurando Sonhos, an organization dedicated to the professional development of seamstresses from the Pa raisópolis community in São Paulo, Brazil. The study employs a qualitative methodolo gical approach, drawing upon bibliographic sources, documentary evidence, interviews, observation, and participant research. The Institute’s initiatives are analyzed through the lens of three interconnected pillars: 1) technical training in sewing skills, 2) the creation of a community care network, particularly for single mothers, and 3) the implementa tion of a business model centered on upcycling post-consumer textile waste from large corporations. The findings reveal inherent contradictions within the Institute’s actions, situated within a capitalist and patriarchal system. For instance, the upcycling process fa ces challenges due to its production time and cost, which clash with the market’s demand for faster and cheaper goods. This underscores the need for a comprehensive educational process to foster greater responsibility and commitment to sustainability. Additionally, the study identifies sewing as an ambivalent practice. On one hand, it can be seen as repro ducing the very capitalist and patriarchal structures that marginalize women. Conversely, it also serves as an instrument of empowerment, fostering trust, community care, and financial independence among the participants. In conclusion, the Instituto Costurando Sonhos emerges as an initiative at the forefront of the women’s movement, pursuing fi nancial autonomy, self-esteem, and a more ethical and sustainable fashion industry. Des pite the contradictions imposed by the systemic constraints, the Institute represents a perspective of resistance against prevailing paradigms, projecting alternative futures.
Este artigo reflete sobre a atuação do Instituto Costurando Sonhos, um espaço de profissionalização de costureiras, que atende mulheres em situação de vulnerabilidade social na comunidade de Paraisópolis, na cidade de São Paulo. Metodologicamente, o estudo baseia-se em abordagem qualitativa, utilizando fontes bibliográficas, documentais, entrevistas, observação e pesquisa participante. Analisa-se a atuação do Instituto a partir de três pilares interligados: 1) capacitação técnica em costura; 2) criação de uma rede de cuidado comunitário, especialmente para mães solo; e 3) implementação de um modelo de negócios baseado no upcycling de resíduos têxteis pós-consumo de grandes empresas. Os resultados revelam contradições inerentes a atuações dentro de um sistema capitalista e patriarcal. Por exemplo, o upcycling enfrenta desafios por seu tempo de produção e custo, frente a um mercado orientado pela lógica do mais rápido e mais barato, demandando assim, um amplo processo educacional sobre a responsabilidade para a sustentabilidade. Outro aspecto é que a costura se apresenta como prática ambivalente: por um lado reproduz estruturas capitalistas e patriarcais; por outro, torna-se instrumento de agenciamento para as mulheres, de confiança, cuidado comunitário e independência financeira. Conclui-se que o Instituto se consolida como uma iniciativa à frente do movimento de mulheres em busca de autonomia financeira e autoestima, assim como por uma moda mais ética e sustentável, na medida que projeta futuros alternativos. Em suma, mesmo com contradições que o próprio sistema impõe, trata-se de uma perspectiva de resistência aos paradigmas vigentes.
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