Este artigo analisa o papel estratégico da bioeletricidade de biomassa na consolidação de uma mobilidade elétrica de baixo carbono no Brasil. Considera-se que, embora a eletrificação veicular seja uma alternativa promissora para a mitigação de gases de efeito estufa (GEE) no setor de transportes, seu desempenho ambiental depende diretamente da intensidade de carbono da eletricidade utilizada na recarga. Adota-se o conceito well-to-wheel (poço à roda) como base metodológica para avaliar os impactos associados ao uso de veículos elétricos a bateria (BEVs) em função da matriz elétrica. No estudo de caso, simula-se a substituição anual de 10 TWh de geração a gás natural por bioeletricidade de biomassa, com base em fatores de intensidade de carbono. Os resultados indicam uma redução anual na emissão de aproximadamente 4,18 MtCO₂eq e uma diminuição da intensidade média do SIN de 24,31 para 23,20 gCO₂eq/MJ. Essa alteração reduz a pegada de carbono dos BEVs de 11,18 para 10,67 gCO₂eq/km, que em um cenário de 1,1 milhão de novos BEVs comercializados em 2035, resulta em uma importante redução estimada da ordem de 6,73 mil tCO₂eq/ano, considerando apenas os veículos adicionados à frota naquele ano. Os resultados reforçam que a biomassa pode atuar como elo de integração entre setores já consolidados da transição energética brasileira, ampliando sua contribuição à mobilidade sustentável por meio do aproveitamento de resíduos agrícolas e industriais para geração de eletricidade renovável e despachável.
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