A regularização do fornecimento da produção agrícola às urbes e a garantia do aprovisionamento de bens alimentares aos espaços urbanos foi um dos pilares sobre os quaisse baseou a atividade pública no período contemporâneo. Se a literatura internacional jáanalisou estas questões para várias geografias e cronologias, qual a situação em Portugal?No período temporal assinalado, distintos ritmos são observáveis no contexto português,como a emergência de novos hábitos de consumo, o intervencionismo do Estado e a regulação da “crise das subsistências” nas guerras e o edificado erguido como os mercados e osarmazéns frigoríficos.A partir do caso de estudo da cidade de Lisboa ao longo de quase um século, este texto1procura analisar o tema do abastecimento alimentar urbano sob três prismas: 1) ainfluência das necessidades alimentares da população lisboeta e a relação estabelecidacom os concelhos limítrofes; 2) o papel desempenhado pelas organizações públicas e asentidades camarárias, na regulação da atividade económica, com um especial olhar sobreas práticas agrícolas e comerciais; 3) as infraestruturas surgidas para assegurar um eficaz circuito de provimento de víveres aos habitantes. Com este conjunto de intenções, épretendido estabelecer um olhar sobre o impacto da agricultura numa cidade, neste casona capital de um país, e as suas implicações socioeconómicas e perceber como as áreascircundantes das cidades se converteram, progressivamente, em repositórios alimentares dos citadinos.
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