Enquanto previsões indicam um crescimento brutal dos núcleos urbanos, até 2050,Portugal enfrenta este desafio de modo diferente. Se por um lado, há uma concentraçãoda população do país na zona litorânea, com profundo esvaziamento do seu interior, estefenómeno é acompanhado por severa perda populacional geral. Nem o Porto, sede deÁrea Metropolitana, está imune ao problema, tendo perdido 2,4% da sua população na última década como atestam os Censos 2021. Diante deste e de desafios particulares, o Porto,compacto e sem área de expansão, vem tecendo diferentes estratégias assentes na culturapara fomentar o seu desenvolvimento.A sua indiscutível riqueza cultural, que conta com o reconhecimento do Centro Históricocomo Património Mundial da UNESCO desde 1996, vê-se acrescida de outras valênciaspromovidas nas últimas décadas: a Capital Europeia da Cultura em 2001, o aumento doturismo cultural e a afirmação recente de que a cultura é estratégica para o desenvolvimento da cidade. Neste sentido, o artigo busca observar uma possível tendência de desvinculação do investimento em cultura como uma oportunidade circunstancial, atreladaa um evento ou a uma fonte pontual de financiamento, para assumir lugar estratégico naspolíticas municipais de desenvolvimento local.
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