A Amazônia, historicamente retratada por narrativas exógenas e simbólicas, transformou-se em um campo de conflitos ideológicos, culturais e de movimentos sociais pós-ditadura. Mais do que um local geográfico, trata-se de um território simbólico repleto de múltiplos significados e invenções, onde o mito e a realidade se fundamentam na formação de imaginários sociais. Este estudo objetivou uma avaliação crítica do Festival Folclórico de Parintins como um local para a reinvenção e representação atuais do imaginário acerca dos povos indígenas. Por meio de autores como Neide Gondim, João de Jesus Paes Loureiro, Marilene Corrêa e autores e autoras indígenas e decoloniais, com ênfase na literatura amazônica, esmiuçou-se como a arte, linguagem estética, pode tanto perpetuar estereótipos coloniais quanto servir como meio de resistência e conhecimento. A pesquisa trouxe como resultado principal que o Festival Folclórico de Parintins, ao incorporar elementos da cultura indígena em um cenário midiático e performático, transforma-se em um palco em que se negociam identidades, memórias e poderes. Assim, questiona-se quais vozes são ecoadas ou caladas e quais conflitos simbólicos surgem dessas representações. O estudo empregou método qualitativo e interpretativo, por meio da antropologia visual, debruçando-se sobre os registros do Festival 2025. Conclui-se pela necessidade de uma visão ética e sensível da relação entre arte, política e comunicação na construção de uma Amazônia cultural, que não pode ser entendida sem a sua contextualização social.
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