Brasil
O artigo analisa processos contemporâneos de descolonização do olhar e de autodeterminação visual na fotografia africana e afrodescendente em Portugal, entendendo a imagem como um campo de disputa em torno da representação, da memória e da cultura visual. A discussão proposta tem como base um fenômeno que ocorre atualmente em Portugal e em diversos locais do mundo: o impulso de emancipação do olhar desses sujeitos e seu reposicionamento nas culturas visuais como reivindicação à equanimidade nos diálogos interculturais. Esse processo se manifesta na produção de narrativas visuais como forma de luta por visibilidade, reconhecimento e reparação histórica, estratégias que chamamos aqui de “autorrepresentação” e “autorreparação” na fotografia contemporânea. Partindo da crítica à fotografia como tecnologia colonial de controle e apagamento, apoiada em autores como Hall, Mirzoeff, Azoulay, Sealy e hooks, o artigo analisa as exposições Africa: See You, See Me! e Álbuns de Família, e os trabalhos artísticos de José Sérgio e Marta Pinto Machado, que ativam a autorrepresentação como estratégia para construir novas sensibilidades coletivas e disputar o lugar da população negra na cultura visual portuguesa, posicionando a fotografia como gesto de autoinscrição e reinvenção do comum. O texto conclui que tanto as exposições quanto os trabalhos analisados compartilham uma espécie de solidariedade ética e política, que se conectam entre si pelo anseio de visibilidade, reconhecimento e justiça.
This article analyses contemporary processes of decolonising the gaze and achieving visual self-determination in photography by Africans and People of African Descent in Portugal, viewing the image as a contested site where representation, memory, and visual culture intersect. The discussion is grounded in a phenomenon currently observable in Portugal and in various global contexts: the impulse towards the emancipation of the gaze among these subjects and their assertion of a place within visual cultures as a claim to equity in intercultural dialogues. This process manifests in the production of visual narratives as a form of struggle for visibility, recognition, and historical reparation — strategies here conceptualised as “self-representation” and “self-reparation” in contemporary photography. Drawing on a critique of photography as a colonial technology of control and erasure, supported by authors such as Hall, Mirzoeff, Azoulay, Sealy, and hooks, the article examines the exhibitions Africa: See You, See Me! and Álbuns de Família, as well as the artistic works of José Sérgio and Marta Pinto Machado, which activate self-representation as a strategy for constructing new collective sensibilities and contesting the position of the Black population within Portuguese visual culture, thereby positioning photography as a gesture of self-inscription and the reinvention of the common. The text concludes that both the exhibitions and the analysed works share an ethical and political solidarity, united by a common aspiration for visibility, recognition, and justice.
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