Bolivia
¿Cómo cartografiar las mutaciones del audiovisual en el vertiginoso ecosistema de las plataformas digitales? Situados en el promediar de la tercera década del siglo XXI, asistimos a un momento comunicacional paradójico. Mientras ciertos «hábitos de consumo» y modelos de negocio heredados de la era massmediática se desvanecen, observamos que sus estructuras narrativas profundas no desaparecen, sino que encuentran nuevas vías de supervivencia. El formato se hibrida, el género persiste y el discurso audiovisual se fragmenta, desafiando a la teoría a seguirle la pista en un terreno inestable. Si observamos los dos grandes colosos del siglo XX, la televisión y el cine, notamos trayectorias divergentes pero complementarias en su crisis. La televisión, otrora institución central de la vida doméstica, es percibida hoy bajo una estética de la decadencia, desplazada por la lógica del streaming y el consumo bajo demanda; sin embargo, su gramática del «directo» y el «flujo» revive con fuerza inusitada en plataformas como Twitch o las transmisiones en vivo de Instagram. Por otro lado, el cine, enfrentado a la crisis de las salas y a la reconfiguración industrial post-pandemia, ve cómo su lenguaje clásico se atomiza y reensambla en pantallas de cinco pulgadas. Es aquí donde la noción de discurso audiovisual requiere una actualización urgente. Ya no estamos ante meros canales de distribución, sino ante ecosistemas mediáticos (Scolari, 2015) donde la tecnología no es neutra. Tomemos el caso paradigmático de TikTok: lo que comenzó como una red social, hoy opera simultáneamente como plataforma de difusión, interfaz de creación (herramienta de edición al alcance del pulgar) y archivo global de micro-narrativas. Como bien señala Manovich (2013), la software culture no solo facilita la producción, sino que transforma la ontología de la imagen. La plataforma no inventó el baile (Historia), pero impuso una forma específica de enunciar ese baile (Relato): vertical, en bucle, algorítmicamente curado y diseñado para un scroll infinito. La hipótesis que vertebra este trabajo sostiene que el medio y la plataforma condicionan radicalmente las estrategias narrativas y retóricas, modificando sus estructuras formales. Sin embargo, lejos de una ruptura total, postulamos una tensión dialéctica: asistimos a la emergencia de formatos mutantes que reciclan géneros clásicos bajo nuevas interfaces. El melodrama, el noticiero o el sketch cómico persisten, pero son obligados a adaptarse a una economía de la atención (Celis Bueno, 2020) que exige síntesis y velocidad. A lo largo de las siguientes páginas, desglosamos esta arquitectura de la mutación. Primero, definiremos las nuevas categorías de plataforma, interfaz y formato, proponiendo una taxonomía que nos permita distinguir el soporte técnico del pacto discursivo. Posteriormente, analizaremos casos específicos donde la tensión entre innovación tecnológica y persistencia narrativa se hace evidente, para finalmente reflexionar sobre cómo estos cambios redefinen el rol del espectador, ahora convertido en un operador activo de la interfaz.
How can the mutations of the audiovisual be mapped within the vertiginous ecosystem of digital platforms? Situated in the middle of the third decade of the twenty-first century, we are witnessing a paradoxical communicational moment. While certain “consumption habits” and business models inherited from the mass media era are fading, their deep narrative structures do not disappear; rather, they find new paths of survival. Formats become hybridised, genres persist, and audiovisual discourse fragments, challenging theory to keep pace within an unstable terrain. If we observe the two major colossi of the twentieth century—television and cinema—we encounter divergent yet complementary trajectories in their respective crises. Television, once a central institution of domestic life, is now perceived through an aesthetic of decadence, displaced by the logic of streaming and on-demand consumption; nevertheless, its grammar of “liveness” and “flow” re-emerges with unexpected force on platforms such as Twitch or Instagram live streams. Cinema, on the other hand, confronted with the crisis of theatrical exhibition and post-pandemic industrial reconfiguration, sees its classical language atomised and reassembled on five-inch screens. It is at this juncture that the notion of audiovisual discourse demands urgent revision. We are no longer dealing merely with distribution channels, but with media ecosystems (Scolari, 2015) in which technology is far from neutral. The paradigmatic case of TikTok illustrates this shift clearly: what began as a social network now operates simultaneously as a distribution platform, a creative interface (an editing tool at the reach of the thumb) and a global archive of micro-narratives. As Manovich (2013) argues, software culture not only facilitates production but also transforms the ontology of the image. The platform did not invent dance (History), but it imposed a specific mode of enunciation (Narrative): vertical, looped, algorithmically curated and designed for infinite scrolling. T he hypothesis underpinning this study maintains that both medium and platform radically condition narrative and rhetorical strategies, reshaping their formal structures. However, rather than a total rupture, we propose a dialectical tension: we are witnessing the emergence of mutant formats that recycle classical genres under new interfaces. Melodrama, the news bulletin or the comic sketch persist, yet they are compelled to adapt to an attention economy (Celis Bueno, 2020) that demands synthesis and speed. T hroughout the following pages, we unpack this architecture of mutation. First, we define new categories of platform, interface and format, proposing a taxonomy that allows us to distinguish technical support from discursive contract. We then analyse specific cases in which the tension between technological innovation and narrative persistence becomes evident, before finally reflecting on how these transformations redefine the role of the spectator, now reconfigured as an active operator of the interface.
Como cartografar as mutações do audiovisual no vertiginoso ecossistema das plataformas digitais? Situados no transcurso da terceira década do século XXI, assistimos a um momento comunicacional paradoxal. Enquanto certos “hábitos de consumo” e modelos de negócio herdados da era dos meios de massa se esvaem, observa-se que suas estruturas narrativas profundas não desaparecem, mas encontram novas vias de sobrevivência. O formato se hibridiza, o gênero persiste e o discurso audiovisual se fragmenta, desafiando a teoria a acompanhá-lo em um terreno instável. Ao observarmos os dois grandes colossos do século XX — a televisão e o cinema —, identificamos trajetórias divergentes, porém complementares, em suas crises. A televisão, outrora instituição central da vida doméstica, é hoje percebida sob uma estética da decadência, deslocada pela lógica do streaming e do consumo sob demanda; ainda assim, sua gramática do “ao vivo” e do “fluxo” ressurge com força inesperada em plataformas como a Twitch ou nas transmissões ao vivo do Instagram. O cinema, por sua vez, diante da crise das salas de exibição e da reconfiguração industrial no período pós-pandemia, vê sua linguagem clássica ser atomizada e rearticulada em telas de cinco polegadas. É nesse contexto que a noção de discurso audiovisual exige uma atualização urgente. Já não estamos diante de meros canais de distribuição, mas de ecossistemas midiáticos (Scolari, 2015), nos quais a tecnologia está longe de ser neutra. O caso paradigmático do TikTok ilustra esse deslocamento: o que teve início como uma rede social opera hoje, simultaneamente, como plataforma de difusão, interface de criação — uma ferramenta de edição ao alcance do polegar — e arquivo global de micronarrativas. Como observa Manovich (2013), a software culture não apenas facilita a produção, mas transforma a ontologia da imagem. A plataforma não inventou a dança (História), mas impôs uma forma específica de enunciação dessa dança (Relato): vertical, em loop, curada algoritmicamente e projetada para o scroll infinito. A hipótese que estrutura este trabalho sustenta que o meio e a plataforma condicionam de maneira decisiva as estratégias narrativas e retóricas, modificando suas estruturas formais. Contudo, longe de uma ruptura total, propomos a existência de uma tensão dialética: assistimos à emergência de formatos mutantes que reciclam gêneros clássicos sob novas interfaces. O melodrama, o telejornal ou o sketch cômico persistem, mas são compelidos a se adaptar a uma economia da atenção (Celis Bueno, 2020) que exige síntese e velocidade. Ao longo das páginas seguintes, desdobramos essa arquitetura da mutação. Inicialmente, definimos novas categorias de plataforma, interface e formato, propondo uma taxonomia que permita distinguir o suporte técnico do pacto discursivo. Em seguida, analisamos casos específicos nos quais a tensão entre inovação tecnológica e persistência narrativa se torna evidente, para, por fim, refletir sobre como essas transformações redefinem o papel do espectador, agora convertido em um operador ativo da interface.
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