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MURÁNYI, Kata
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Hungría
Os líderes populistas desafiam cada vez mais as alianças internacionais ao privilegiarem laços pessoais em detrimento de compromissos institucionais, enfraquecendo assim a eficácia e os propósitos fundamentais das organizações coletivas. Através do exemplo ilustrativo da Hungria, o presente artigo examina a forma como o primeiro-ministro Viktor Orbán construiu parcerias internacionais no âmbito do seu discurso de política externa. Recorre-se a uma análise de redes e de discurso das suas publicações na plataforma X, entre Junho de 2023 e Junho de 2025, identificando-se os atores centrais, a sua caracterização e os padrões de construção de parcerias. Os resultados indicam que o discurso de Orbán sobre entidades internacionais foi moldado pela politização, pela personalização e por constrangimentos estruturais. A politização projetou para o plano internacional as narrativas domésticas de amigos e inimigos; a personalização privilegiou laços diretos entre líderes e conexões com figuras não estatais de grande visibilidade pública; e os constrangimentos estruturais fragilizaram as parcerias ao expô-las aos interesses de potências maiores e ao comportamento oportunista de aliados populistas. Em termos gerais, os resultados evidenciam que estes fatores deslocaram o discurso de Orbán da doutrina da “Abertura a Oriente” para uma lógica de redes populistas euro-atlânticas, emergindo figuras como Donald Trump enquanto ponto de referência central.
Populist leaders increasingly challenge alliances by prioritizing personal ties over institutional commitments. This paper examines how Hungarian prime minister Viktor Orbán constructed international partnerships in his foreign policy discourse. Using network and discourse analysis of his posts on X between June 2023 and June 2025 (N=638), the study identifies central actors, their characterisation, and patterns of partnership-building. Findings indicate that Orbán’s discourse on international entities was shaped by politicisation, personalisation and structural constraints. Politicisation projected domestic friend–enemy narratives internationally, personalisation privileged leader-to-leader ties and links to popular non-state figures, while structural constraints weakened partnerships by exposing them to the interests of larger powers and the opportunistic behaviour of populist allies.
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