[1]
Socorro, Portugal
Este artigo explora a securitização das migrações na UE através da lente das emoções, revisitando a teoria da securitização à luz da viragem emocional nas Relações Internacionais. Focando-se especificamente no papel das emoções nos atos de discurso, analisa como as expressões afetivas contribuem para a formulação e legitimação de políticas de segurança extraordinárias. O estudo empírico centra-se em dois períodos-chave: a crise dos refugiados de 2015–2016 e a implementação do Pacto da UE sobre Migração e Asilo em 2023–2024, investigando como a construção emocional dos migrantes enquanto ameaças à segurança evoluiu nos discursos da Comissão Europeia e nas políticas fronteiriças correspondentes. Situada na interseção dos estudos críticos de segurança, estudos de fronteira e sociologia das emoções, a investigação recorre à análise de discurso com foco nas emoções para mostrar como a construção afetiva da migração como ameaça à segurança legitima medidas restritivas. O estudo conclui que o medo, a piedade e a compaixão são narrativas recorrentes, moldando a representação dos migrantes não apenas em momentos de crise, mas também em períodos de governação rotineira. Estas emoções funcionam, portanto, como condições de possibilidade para a securitização da migração e a formulação de políticas fronteiriças da UE de forma contínua.
This paper examines the securitisation of migration in the EU from the angle of emotions, exploring their role in discursively justifying the reinforcement of the EU’s border regime in two key periods: the 2015-2016 refugee crisis and the 2023-2024 implementation of the new Pact on Migration and Asylum. It delves into how the emotional framing of migrants as security threats has evolved in the European Commission speeches and the corresponding developments in border policies. Situated at the intersection of critical security studies, border studies, and the sociology of emotions, the study employs emotion-focused research methods to understand how the affective construction of migration as a security threat legitimises restrictive border policies. Using an Emotion Discourse Analysis (EDA) framework, it argues that fear and pity—both present in the EU’s framing of refugees and asylum seekers—function as mutually reinforcing conditions for the securitisation of migration, despite their apparent incompatibility. A comparative analysis of the two periods further reveals how this emotional framing has evolved in the Commission speeches alongside an increasingly restrictive border regime.
© 2001-2026 Fundación Dialnet · Todos los derechos reservados