Socorro, Portugal
Camilo reuniu, ao longo de mais de 30 anos de actividade literária, milhares de livros que comprou, guardou, vendeu e doou. O uso e a influência desta livraria na composição da sua obra e a descrição do perfil cultural de Camilo a partir das suas leituras é um estudo que está por fazer. Leiloou livros seus em 1870 e em 1883. A análise dos catálogos destes leilões, com destaque para o segundo, constitui um primeiro contributo para esse estudo e para uma reflexão sobre a função das livrarias pessoais dos intelectuais oitocentistas, num universo em que a palavra impressa ’ e sobretudo o livro ’ eram o mais importante meio de comunicação, de expressão cultural e de aquisição de conhecimentos.
Camilo Castelo Branco gathered, over more than 30 years of literary activity, thousands of books that he bought, kept, sold and donated. His private library was a dynamic entity that reflected not only his literary, cultural and personal interests over the decades, but also editorial strategies in Portugal in the second half of the nineteenth century, the dialogue of Portuguese intellectuals with foreign cultures and their cultural and material relationship with the book, at a time when it asserted itself, among educated elites, as the main object of cultural mediation. This article takes an introductory and com-prehensive look at the study of the writer’s “virtual library” (Ferreira, 2005: 162) based on the catalogs of two auctions (1870, 1883) of his books
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