O artigo analisa a relação entre discurso, corpo e subjetividade a partir da obra Maria Convulsionada, da série Mulheres em dobras (2006), da artista brasileira Cristina Salgado. A investigação parte da premissa de que dizer, ver e enunciar não apenas refletem a realidade, mas a constroem, moldando corpos e subjetividades. A partir de uma análise estético-discursiva, o texto examina como práticas artísticas podem questionar e subverter as construções socioculturais que regulam o corpo feminino, expondo as redes de poder que o atravessam. O artigo também percorre a tradição filosófica ocidental que historicamente subordinou o corpo à mente, desde Parmênides e o ideal platônico até o cientificismo moderno. Em contraponto, são destacadas perspectivas filosóficas que desafiaram essa dualidade, como as de Epicuro, Spinoza e Nietzsche, que valorizam o corpo como parte essencial da experiência e da subjetividade. Por fim, o texto utiliza o conceito de dobra, proposto por Gilles Deleuze, para compreender o enunciado artístico como uma prática de resistência e criação de subjetividades não normativas. Assim, a obra de Salgado é interpretada como um gesto estético e político que reconfigura os modos de existência feminina, rompendo com representações fixas e instaurando novos modos de sentir, pensar e existir no mundo.
© 2001-2026 Fundación Dialnet · Todos los derechos reservados