O presente trabalho tem como objetivo principal analisar como a água desempenha papel simbólico e significativo nas construções literárias das obras Malinche (2015), de Laura Esquivel, e do conto “Maria do Rosário Imaculada dos Santos”, presente na coletânea Insubmissas Lágrimas de Mulheres (2016), de Conceição Evaristo. Nas duas narrativas, as autoras utilizam a água como um elemento que reflete a identidade, a opressão e a resistência, conectando-se às vivências das personagens. Dessa forma, a pesquisa se fundamenta em investigar, a partir da construção das narrativas, a feminilidade que se refere à resistência feminina traçando paralelos com as deusas de água doce asteca (Pugliese, 2023) e de matriz africana (Reis Neto, 2020), Chalchiutlicue e Oxum, respectivamente. Por meio de uma análise comparativa, o estudo permite uma compreensão mais aprofundada das relações de submissão e poder que as protagonistas enfrentam ao longo da vida, como: o roubo do corpo, o trabalho escravo e a recuperação do próprio eu. Assim, a pesquisa contribui para uma reflexão crítica sobre o protagonismo e a preservação da identidade feminina.
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