Brasil
Este artigo procura ler algumas formas como a escrita recente de Tamara Kamenszain se relaciona com o outro. Esse movimento pode ser dividido, a princípio, em duas partes: por um lado, trata-se de um afastamento de certas formas grandiosas de fazer literatura, associadas a esses que ela chama vates; por outro, é possível ver uma aproximação a autoras – principalmente mulheres, mas também alguns homens a quem ela nomeia antivates – que escrevem a partir da pequenez e de um tom menor. Para isso, parte-se aqui da leitura das duas últimas obras publicadas pela autora argentina em vida, Livros pequenos (Kamenszain [2020] 2021) e Garotas em tempos suspensos (Kamenszain [2021] 2022), colocando-os em contato com outras obras de autores e autoras como Octavio Paz ([1972] 2013, [1981] 2014), Harold Bloom ([1973] 2002), Margo Glantz (1992), Sylvia Molloy (2010), Julia Kristeva (2011) e Paloma Vidal (2017). A leitura se guia principalmente através de momentos de Livros pequenos em que é possível ler essas aproximações e afastamentos, acompanhados de uma reformulação das noções de filiação e da influência. Assim, propõe-se que a literatura de Tamara Kamenszain se constrói como uma escrita que não se fecha em si mesma, mas sim que se abre ao outro de forma que não existe sem sua presença e sua constituição.
This article seeks to examine some of the ways in which Tamara Kamenszain’s recent writing engages with the Other. This movement can initially be divided into two parts: on the one hand, it involves a distancing from certain grandiose forms of literature, associated with those she calls vates; on the other, it reveals an affinity with writers—primarily women, but also some men whom she labels antivates—who write from a place of smallness and with a minor tone. To explore this, the analysis draws from the last two works published by the Argentine author during her lifetime, Livros pequenos (Kamenszain [2020] 2021) and Garotas em tempos suspensos (Kamenszain [2021] 2022), placing them in dialogue with works by other authors such as Octavio Paz ([1972] 2013, [1981] 2014), Harold Bloom ([1973] 2002), Margo Glantz (1992), Sylvia Molloy (2010), Julia Kristeva (2011), and Paloma Vidal (2017). The reading is guided primarily by moments in Livros pequenos where these affinities and distances become apparent, accompanied by a rethinking of notions of literary filiation and influence. Thus, the article proposes that Kamenszain’s literature is constructed as a form of writing that does not close in on itself but rather opens up to the Other, existing only through its presence and constitution.
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