This article analyzes the book Sai da frente do meu sol (2023) by Felipe Charbel, drawing on Florencia Garramuño’s (2014) concepts of “unspecificity” and “expansive field” in conjunction with Reinaldo Laddaga’s (2013) notion of the “studio state.” The objective is to demonstrate how, in this work, the exposure of the writing process and the speculative investigation into the life of the character Ricardo (Charbel’s great-uncle) permeate reality, expanding into other media and literary circulation platforms. In this sense, Sai da frente do meu sol moves fluidly between distinct genres, such as the novel, the essay, speculative biography, and photographic analysis, among others, positioning itself in an unstable terrain between fiction and nonfiction. Through aesthetic figuration, the narrative explores the authorial instance as a simulacrum and/or performative strategy capable of destabilizing questions regarding the representation of the Other. Thus, the story of Uncle Ricardo becomes both an object of fascination and an exercise in subject fabrication, engaging both the narrator/writer conducting the investigation and the reader following this process.
: Este artigo analisa o livro Sai da frente do meu sol (2023), de Felipe Charbel, a partir dos conceitos de “inespecificidade” e de “campo expansivo”, de Florença Garramuño (2014); na interseção da noção de “estado do estúdio” com Reinaldo Laddaga (2013), com vistas a demonstrar como nessa obra a exposição do processo de escrita e a investigação especulativa sobre a vida da personagem Ricardo (tio-avô de Charbel) contaminam a realidade na expansão a outros meios e suportes de circulação do literário. Nesse sentido, Sai da frente do meu sol transita entre gêneros díspares, como o romance, o ensaio, a biografia especulativa e a análise fotográfica, dentre outros campos, situando-se em um terreno instável entre a ficção e a não ficção. A partir da figuração estética, a narrativa explora a instância autoral como simulacro e/ou como estratégia performática capaz de desestabilizar questões sobre a representação do Outro. Assim, a história do tio Ricardo se torna uma espécie de fascínio e um exercício de fabricação do sujeito tanto para o narrador/escritor que investiga quanto para o leitor que acompanha esse processo.
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