RAE de Macao (China)
Although it is not materially impossible that traces of the literature produced in Rome nine centuries earlier could have reached China in the 8th century, this possibility is nothing more than a fantasy. The double distance — time and geography — makes it far too unlikely. This is to say that Li Bai, one of the most remarkable Chinese poets, who lived in the eighth century of our era, could not know anything about Horace, the poet of the circle of Augustus, i.e. a poet of Rome in the first century BC. Sometimes, however, a reading of this Chinese poet shows surprising subject similarities with the work of the old Latin poet: the fleetingness of life, the subsequent appeal to enjoy the time, the celebration of the seasons, the song of the pleasures of life, these are just a few thematic affinities between both poets, and cause, if not some perplexity, at least a certain surprise. This is the approach proposed here, trying to show the universality of literature and its themes, despite the enormous diversity of its authors, located in very different times and geographies (spatial and epochal).
Apesar de não ser materialmente impossível que à China do século VIII tivessem chegado vestígios da literatura cultivada em Roma nove séculos antes, essa possibilidade não passa de uma fantasia da imaginação. A dupla distância — temporal e geográfica — tornam-na por demais inverosímil. Dito por outras palavras, Li Bai, um dos mais notáveis poetas chineses de sempre e que viveu no século VIII da nossa era, não poderá ter tido qualquer notícia da existência de Horácio, o poeta da corte de Augusto, ou seja, poeta de Roma no século I a.C. Acontece, entretanto, que uma leitura da obra do poeta chinês revela surpreendentes proximidades temáticas com a obra do poeta latino: a fugacidade da vida, o subsequente apelo à fruição do tempo, o modo de celebrar as estações do ano, o canto dos prazeres da existência, são apenas algumas das afinidades temáticas entre ambos que não deixam de causar, senão alguma perplexidade, pelo menos uma certa admiração ou surpresa. Essa é a reflexão proposta neste trabalho, a documentar a universalidade da literatura e dos seus temas, a despeito da enorme diversidade dos seus autores, situados em tempos e em geografias (espaciais e epocais) muito distintas.
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