En Brasil, la sólida relación entre las comunidades tradicionales, sus territorios y el uso sostenible de los recursos naturales constituye un activo único, pero también es fuente de numerosos conflictos socioambientales, especialmente en áreas que se superponen con unidades de conservación y se caracterizan por la falta de políticas públicas efectivas. Este estudio tuvo como objetivo comprender las prácticas tradicionales de subsistencia, la organización social y los modos de transmisión del conocimiento en la Comunidad de Caruaru, ubicada en el distrito de Mosqueiro, Pará, dentro de un área de preservación ambiental. La investigación cualitativa se llevó a cabo mediante entrevistas semiestructuradas condos destacados líderes comunitarios. Los resultados mostraron que los entrevistados, nativos de la región, han residido durante mucho tiempo en el territorio y comparten la propiedad comunal de la tierra, lo que demuestra vínculos de identidad con el lugar, una fuerte conexión con la cultura local y el uso de los recursos. Sin embargo, sus prácticas económicas difieren. Las actividades de subsistencia incluyen la agricultura, la pesca, el extractivismo, la artesanía y el turismo comunitario, que apoyan tanto la economía como la cultura locales. La transmisión de conocimientos a través de la oralidad, así como a través de prácticas culturales, aún está presente, pero existe preocupación por la pérdida de interés entre las generaciones más jóvenes. La fragilidad organizativa y la falta de continuidad en las acciones externas exacerban los desafíos. La conclusión es que el modo de vida de la comunidad es resiliente pero vulnerable, lo que refuerza la urgencia de fortalecer la gobernanza local, valorar los conocimientos tradicionales y desarrollar planes de gestión participativa centrados en la conservación socioambiental y la autonomía territorial.
In Brazil, the strong relationship between traditional communities and their territories and the sustainable use of natural resources constitutes a unique asset, but it is also a source of many socio-environmental conflicts, especially in areas overlapping with conservation units and marked by the lack of effective public policies. This study aimed to understand traditional subsistence practices, social organization, and modes of knowledge transmissionin the Caruaru Community, located in the Mosqueiro district of Pará and within an environmental preservation area. The qualitative research was conducted through semi-structured interviews with two prominent community leaders. The results showed that the interviewees, native to the region, have long resided in the territory and share communal land ownership, demonstrating identity ties to the place, a strong connection to the local culture, and the use of resources. However, their economic practices differ. Subsistence activities include agriculture, fishing, extractivism, handicrafts, and community-based tourism, supporting both the local economy and culture. The transmission of knowledge through oral means, as well as through cultural practices, is still present, but there is concern about the loss of interest among younger generations. Organizational fragility and the lack of continuity in external actions exacerbate the challenges faced. The conclusion is that the community's way of life is resilient butvulnerable, which reinforces the urgency of strengthening local governance, valuing traditional knowledge, and developing participatory management plans focused on socio-environmental conservation and territorial autonomy.
No Brasil a forte relação das comunidades tradicionais com seus territórios e com o uso sustentável dos recursos naturais constitui uma riqueza singular, sendo também fonte de muitos conflitos socioambientais, especialmente em áreas sobrepostas a unidades de conservação e marcadas pela ausência de políticas públicas eficazes. Este estudo teve como objetivo compreender as práticas tradicionais de subsistência, a organização social e os modos de transmissão de saberes na Comunidade Caruaru, localizada no distrito de Mosqueiro-PA e inserida em área de preservação ambiental. A pesquisa, de natureza qualitativa, foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com dois líderes de relevância na comunidade. Os resultados mostraram que os entrevistados, nativos da região, possuem longa permanência no território e compartilham a posse comunitária da terra, evidenciando vínculos identitários com o lugar, forte conexão com a cultura local e com o uso dos recursos, porém, divergentes quanto às práticas econômicas exercidas. As atividades de subsistência incluem agricultura, pesca, extrativismo, artesanato e turismo de base comunitária, sustentando tanto a economia local quanto a cultura. A transmissão de saberes de forma oralizada ainda se faz presente, como também por meio de práticas culturais, mas há preocupação com a perda de interesse das novas gerações. A fragilidade organizacional e a falta de continuidade nas ações externas agravam os desafios enfrentados. Conclui-se que o modo de vida da comunidade é resiliente, mas vulnerável, o que reforça a urgência em fortalecer a governança local, valorizar os saberes tradicionais e elaborar planos de manejo participativos voltados à conservação socioambiental e à autonomia territorial.
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