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Brasil
Creativity manifests itself as a productive capacity of thought, expressing flexibility and originality when approaching challenges and unusual situations. Innovative ideas seem to emerge spontaneously, being considered intuitions. Peirce criticized the Cartesian idea of intuition, understood as any cognition not resulting from previous cognition processes that could serve as premises for deductions. For Peirce, knowledge is derived from external facts, apprehended by perception and processed through inferences mediated by signs, resulting from combinations of previous cognitions derived from previous judgments of experience. Although the apparent spontaneity of creative thought, which Peirce called abductive, does not seem to result from previous inferences, his conceptual framework demonstrates how creative thought works. Hence, this article seeks to evince: (a) that creative thought results from abductive inferential chains, whose premises are apprehended through perception; (b) that such premises are processed at a more or less unconscious level; (c) that these premises are iconic signs or present a high degree of iconicity, a type of mediation where predominate vagueness and openness inherent to the category of firstness; and (d) that it is possible to seek and use these signs capable of reflecting the unknown reality through human cognitive capacity, immersed in the phenomenal world.
A criatividade, manifestada como capacidade produtiva do pensamento, expressa flexibilidade e originalidade ao abordar desafios e situações inusitadas. Ideias inovadoras parecem surgir espontaneamente, sendo associadas ao conceito de intuição. Peirce criticou a ideia cartesiana de intuição, entendida como qualquer cognição não resultante de cognições anteriores, e que serviria como premissa para deduções. Demonstrou que todo conhecimento deriva de fatos externos, captados pela percepção e processados inferencialmente, via mediação sígnica, sendo fruto da combinação de cognições prévias derivadas de julgamentos anteriores da experiência. Embora a espontaneidade aparente dos insights criativos, que Peirce denominou abdutivos, não pareça resultar de inferências prévias, à luz do quadro seu conceitual pode-se compreender o funcionamento da criatividade em termos lógicos. Dessa forma, o presente artigo busca evidenciar que: (a) o pensamento criativo resulta de cadeias inferenciais abdutivas, cujas premissas são apreendidas via percepção; (b) tais premissas são processadas pela mente em nível mais ou menos consciente; (c) essas premissas são signos icônicos ou apresentam alto grau de iconicidade, tipo de mediação em que predominam a vagueza e abertura inerentes à categoria da primeiridade; e (d) que é possível buscar e utilizar esses signos capazes de refletir a realidade desconhecida, por meio da capacidade cognitiva humana imersa no mundo fenomênico.
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