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Resumen de Diálogos ancestrais entre os romances Úrsula (1859), de Maria Firmina dos Reis, e Água de Barrela (2016), de Eliana Alves Cruz

Leliane Amorim Faustino

  • português

    Este artigo tem como objetivo entrecruzar as narrativas dos romances Úrsula (1859), de Maria Firmina dos Reis, com Água de Barrela (2016), de Eliana Alves Cruz. Notamos que os dois textos, embora partam de gêneros e temporalidades distintas, possuem alguns pontos em comum. Ao promover o diálogo entre as obras, compreendemos que literaturas cujas narrativas trazem a ancestralidade como elemento motor da escrita podem empreender um tipo de manifestação diaspórica que tem por veículo a literatura e que atravessa questões históricas e políticas. Dessa forma, o presente artigo propõe uma leitura dos romances a partir da ancestralidade como eixo de aproximação e diálogo entre obras produzidas em contextos diferentes, dando ênfase na emergência de um eu vinculado a um nós comunitário e no protagonismo das personagens negras. Analisamos, ainda, as estratégias discursivas mobilizadas pelas autoras, que ultrapassam a noção de concessão de voz ou fala às classes que foram subalternizadas pelos mecanismos racistas e colonialistas de seleção dos cânones historiográficos e literários. Sendo assim, objetivamos comparar os dois romances, seus pontos de interseção e seus limites, para demonstrar como a literatura produzida por pessoas negras pode abarcar um viés crítico, político e um tipo de interpretação social caros à história da historiografia e aos estudos literários brasileiros.

  • English

    This article intends to intertwine the narratives of the novel Úrsula (1859) written by Maria Firmina dos Reis with Água de Barrela (2016), written by Eliana Alves Cruz. We noted that both texts, although coming from unalike times and genres, embody some points in common. By promoting a dialogue between them, we understand that literature whose narratives bear ancestry as a driving element of the writing process may undertake a type of diasporic manifestation that has literature as its tool, besides crossing historical and political issues. This article proposes a reading of the novels through the lens of ancestry as a central axis for fostering dialogue and connections between works produced in distinct contexts, with an emphasis on the emergence of an 'I' linked to a communal 'we' and on the protagonism of Black characters. It also analyzes the discursive strategies mobilized by the authors, which go beyond the notion of granting voice or speech to groups historically subalternized by the racist and colonialist mechanisms that shape historiographic and literary canons. Therefore, we aim to compare both novels, their points of intersection and their limits, to set forth how literature written by Black people is able to encompass a critical, a political bias and a type of social understanding imperative to the history of historiography and Brazilian literary studies.


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