Brasil
This paper examines Antonio Gramsci’s conception of politics, understood as one of the most original contributions of twentieth-century Marxism. We argue that the novelty of Gramsci’s approach lies less in his well-known categories – such as civil society, historical bloc, and the distinction between East and West – than in his redefinition of the political sphere vis-à-vis both the reductionist outlook of the Second International and the so-called “Marxism-Leninism” (i.e., Stalinism) that dominated the Third International. Three preliminary aspects guide our discussion: first, the meanings Gramsci attributed to the concept of politics; second, his analysis of the causal nexus between economic relations of production and politics; and third, his ontological understanding of ideology as a constitutive moment of politics itself. We suggest that by conceiving politics as catharsis and ideology as a social-ontological reality, Gramsci offered a non-empiricist and non-idealist response to the central problem of democratic theory: the construction of a general and collective will.
O presente artigo examina a concepção de política em Antonio Gramsci, entendida como uma das contribuições mais originais do marxismo no século XX. Argumenta-se que a novidade central do pensamento gramsciano não reside apenas em categorias consagradas como sociedade civil, bloco histórico ou a distinção entre Oriente e Ocidente, mas sobretudo em sua redefinição da esfera política em contraposição tanto ao marxismo vulgar da Segunda Internacional quanto ao chamado “marxismo-leninismo” (isto é, stalinismo), dominante na Terceira Internacional. Três pontos preliminares orientam a discussão: primeiro, as acepções atribuídas por Gramsci ao conceito de política; segundo, o tratamento do vínculo causal entre as relações de produção econômicas e a política; e, por fim, a compreensão ontológica da ideologia como momento constitutivo da política. Sustenta-se que, ao conceber a política como catarse e a ideologia como realidade ontológico-social, Gramsci encaminhou uma resposta não empirista e não idealista ao problema central da teoria democrática: a construção do conceito de vontade geral e de vontade coletiva.
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