Colombia
Este artículo tiene como objetivo analizar la identidad muxhe como una forma de disidencia epistémica y afectiva que desafía las categorías binarias de género impuestas por la modernidad occidental, a partir del estudio de los contextos socioculturales zapotecas en el Istmo de Tehuantepec (México). Desde un enfoque cualitativo y decolonial, se aplicó una estrategia de análisis de contenido cualitativo a un corpus de 24 artículos científicos indexados en la base de datos Scopus (2010–2024), seleccionados por su pertinencia temática en torno a identidades no binarias, género indígena y epistemologías del sur.
Los resultados evidencian que la muxeidad no solo representa una identidad de género alternativa, sino que configura un espacio afectivo-político de resistencia frente a la colonialidad del género, al integrar prácticas ancestrales, formas comunitarias de reconocimiento y agencia simbólica desde lo festivo, lo ritual y lo cotidiano. Se identificaron tres núcleos analíticos: (1) la muxeidad como categoría cultural situada; (2) las tensiones entre reconocimiento comunitario y exotización global; y (3) las pedagogías afectivas como herramientas de resignificación.
Se concluye que las identidades muxhes deben ser comprendidas más allá de los marcos biomédicos o jurídicos, y en cambio leídas como formas de saber y de existencia que desestabilizan el régimen epistemológico sexo-genérico hegemónico. Reconocer la muxeidad como disidencia epistémica y afectiva abre la posibilidad de articular modelos interculturales de educación, salud y ciudadanía que respeten la diversidad ontológica y política de los pueblos originarios.
This article aims to analyze muxhe identity as a form of epistemic and affective dissent that challenges binary gender categories imposed by Western modernity, focusing on the Zapotec sociocultural contexts of the Isthmus of Tehuantepec (Mexico). Using a qualitative and decolonial approach, the study applied qualitative content analysis to a corpus of 24 peer-reviewed scientific articles indexed in the Scopus database (2010–2024), selected for their relevance to non-binary identities, indigenous gender systems, and Southern epistemologies.
The findings reveal that muxheid not only constitutes an alternative gender identity but also establishes an affective-political space of resistance against the coloniality of gender. It does so by integrating ancestral practices, community-based recognition, and symbolic agency through festive, ritual, and everyday dimensions. Three key analytical categories were identified: (1) muxheid as a situated cultural category; (2) tensions between local recognition and global exoticization; and (3) affective pedagogies as tools of resignification.
The study concludes that muxhe identities should not be framed within biomedical or legal discourses alone but rather understood as forms of knowledge and existence that disrupt the dominant sex-gender epistemological regime. Recognizing muxheid as epistemic and affective dissent opens the path toward intercultural models of education, health, and citizenship that honor the ontological and political diversity of Indigenous peoples.
Este artigo tem como objetivo analisar a identidade muxhe como uma forma de dissidência epistêmica e afetiva que desafia as categorias binárias de gênero impostas pela modernidade ocidental, a partir do estudo dos contextos socioculturais zapotecas no Istmo de Tehuantepec (México). A partir de uma abordagem qualitativa e decolonial, foi aplicada uma estratégia de análise de conteúdo qualitativo a um corpus de 24 artigos científicos indexados na base de dados Scopus (2010–2024), selecionados por sua relevância temática em torno de identidades não binárias, gênero indígena e epistemologias do sul. Os resultados evidenciam que a muxeidade não representa apenas uma identidade de gênero alternativa, mas configura um espaço afetivo-político de resistência frente à colonialidade do gênero, ao integrar práticas ancestrais, formas comunitárias de reconhecimento e agência simbólica a partir do festivo, do ritual e do cotidiano. Foram identificados três núcleos analíticos: (1) a muxeidade como categoria cultural situada; (2) as tensões entre reconhecimento comunitário e exotização global; e (3) as pedagogias afetivas como ferramentas de ressignificação. Conclui-se que as identidades muxhes devem ser compreendidas para além dos marcos biomédicos ou jurídicos, sendo interpretadas como formas de saber e de existência que desestabilizam o regime epistemológico sexo-genérico hegemônico. Reconhecer a muxeidade como dissidência epistêmica e afetiva abre a possibilidade de articular modelos interculturais de educação, saúde e cidadania que respeitem a diversidade ontológica e política dos povos originários.
© 2001-2026 Fundación Dialnet · Todos los derechos reservados