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Este artículo parte de mi investigación doctoral y actualmente posdoctoral centrada en analizar etnográficamente el tratamiento de cadáveres de personas asesinadas por prácticas represivas en la década de 1970 en Córdoba, Argentina. El foco está puesto en las muertes producidas por el accionar de las fuerzas policiales y militares y las formas de dar muerte por parte de estas en esos años. El objetivo del artículo es indagar sobre la configuración de ontologías escritas y topografías del terror en los documentos producidos en la morgue de la provincia de Córdoba durante 1976. La metodología utilizada consiste en una etnografía con documentos, realizando una sistematización en torno a los sujetos productores de estos, los términos utilizados, las marcas presentes en los escritos y sus espacios y mecanismos de circulación. A partir del estudio es posible concebir al “libro de la morgue”, elaborado por los morgueros en 1976 y documento de análisis para la investigación, como un locus en el que se manifiestan los indicios de una topografía del terror y ontologías escritas, identificando en la escritura actores y espacios de la represión en Córdoba, a inicios de la última dictadura cívico-militar argentina. El aporte del artículo radica en ofrecer una indagación etnográfica, sobre un archivo específico de Córdoba, con coordenadas analíticas que no habían sido utilizadas hasta el momento, valiéndome de herramientas conceptuales que estudian, con la densidad metódica y descriptiva necesaria, un periodo político y social convulsionado para Argentina. Dicho aporte es significativo tanto para los investigadores de la temática, como también para las organizaciones de derechos humanos de la provincia de Córdoba y la sociedad en su conjunto, en pos de afianzar las políticas de memoria, verdad y justicia.
This article stems from my doctoral and current postdoctoral research, which ethnographically examines the treatment of the bodies of individuals killed by repressive practices in the 1970s in Córdoba, Argentina. The focus is on deaths caused by the actions of police and military forces and the ways in which these killings were carried out during those years. The article explores how written ontologies and topographies of terror were configured in the documents produced at the provincial morgue of Córdoba in 1976. The methodology is based on an ethnography of documents, involving the systematization of their producers, the terms employed, the marks inscribed in the writings, and the spaces and mechanisms through which they circulated. The analysis makes it possible to conceive of the “morgue book”—compiled by morgue workers in 1976 and serving here as a primary source—as a locus where clues of a topography of terror and written ontologies emerge. In the writing, actors, and spaces of repression in Córdoba at the onset of Argentina’s last civic-military dictatorship can be identified. The article contributes an ethnographic investigation into a specific archive in Córdoba, guided by analytical coordinates not previously applied. It draws on conceptual tools that enable a methodical and richly descriptive study of a politically and socially turbulent period in Argentina. This contribution is significant not only for researchers working on these issues, but also for human rights organizations in Córdoba and for society as a whole, in the ongoing effort to strengthen policies of memory, truth, and justice.
Este artigo baseia-se em minha pesquisa de doutorado e na atual investigação de pós-doutorado, centralizadas na análise etnográfica do tratamento de cadáveres de pessoas assassinadas por práticas repressivas na década de 1970 em Córdoba, Argentina. O foco recai sobre as mortes provocadas pela atuação das forças policiais e militares e sobre as formas de matar empregadas por essas instituições naquele período. O objetivo deste artigo é investigar a configuração de ontologias escritas e topografias do terror nos documentos produzidos no necrotério da província de Córdoba durante o ano de 1976. A metodologia adotada consiste em uma etnografia com documentos, a partir da sistematização dos sujeitos produtores desses registros, dos termos utilizados, das marcas presentes nos escritos e de seus espaços e mecanismos de circulação. Com base na análise, é possível conceber o “livro do necrotério”, elaborado pelos funcionários da instituição em 1976 — e utilizado como fonte de pesquisa —, como um lócus no qual se manifestam os indícios de uma topografia do terror e de ontologias escritas, permitindo identificar, por meio da escrita, atores e espaços de repressão em Córdoba, no início da última ditadura cívico-militar argentina. A contribuição do artigo consiste em oferecer uma investigação etnográfica sobre um arquivo específico de Córdoba, com coordenadas analíticas ainda não exploradas, valendo-se de ferramentas conceituais que possibilitam examinar, com a densidade metódica e descritiva necessária, um período político e social marcado pela convulsão na Argentina. Trata-se de um aporte relevante tanto para pesquisadoras e pesquisadores da temática quanto para organizações de direitos humanos de Córdoba, bem como para a sociedade em geral, com vistas ao fortalecimento das políticas de memória, verdade e justiça.
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