Argentina
El artículo describe las relaciones entre el objeto de estudio, las estrategias metodológicas y la construcción teórica, tal como se fueron transformando a lo largo de mi investigación doctoral, realizada con personas mapuche y quienes reconocen ancestros de ese pueblo entre 2015 y 2022 en Viedma (Río Negro, Argentina). A partir de una etnografía comprometida centrada en la observación y participación en actividades y proyectos desarrollados por colectivos mapuche, y en entrevistas a participantes de estas instancias, la investigación se enfocó en la alterización étnico-racial vivida por y ejercida hacia el pueblo mapuche. En el transcurso del trabajo reconocí que las dudas que atravesaban a muchas personas sobre cómo nombrarse o posicionarse públicamente se vinculaban con la circulación de estereotipos referidos tanto al ser mapuche como argentino, que se anudan en los discursos sobre la pureza, el mestizaje y la pérdida de identidad, y operan mediante una lógica de doble ambivalencia o discriminación, instalando sospechas con las que se inscribe cotidianamente el racismo. Las modulaciones ambiguas e implícitas con las que se expresan y viven las prácticas de racialización —por medio de prácticas corporales, emociones y silencios, más que un discurso verbal— fueron orientando reformulaciones de la metodología, que van más allá de la no directividad y la atención a los imponderables que caracterizan a la etnografía, hacia la focalización en situaciones y ocasiones cotidianas. En conclusión, la ambivalencia y la ambigüedad se fueron constituyendo no solo como categorías teóricas, sino como modos de hacer centrales en mi trabajo. El artículo constituye un aporte a las discusiones sobre la relación entre objeto, teoría y metodología en la práctica etnográfica, y a las modalidades de documentación y análisis de prácticas de racialización y racismo en contextos en que son negadas en el discurso verbal.
Este artigo traça as relações entre o objeto de estudo, as estratégias metodológicas e a construção teórica, à medida que se transformaram ao longo de minha pesquisa de doutorado, realizada com o povo Mapuche e com pessoas que reconhecem a ascendência Mapuche, entre 2015 e 2022, em Viedma (Río Negro, Argentina). Com base em uma etnografia engajada centrada na observação e na participação em atividades e projetos desenvolvidos por coletivos Mapuche, e em entrevistas com participantes dessas instâncias, a pesquisa se concentrou na alteridade étnico-racial vivenciada e exercida em relação ao povo Mapuche. No decorrer do trabalho, percebi que as dúvidas de muitas pessoas sobre como se autodenominar ou se posicionar publicamente estavam ligadas à circulação de estereótipos sobre ser Mapuche ou argentino, os quais estão atrelados a discursos sobre pureza, mestiçagem e perda de identidade —discursos que operam por meio de uma lógica de ambivalência ou dupla discriminação, instalando suspeitas pelas quais o racismo se inscreve cotidianamente. As modulações ambíguas e implícitas com que as práticas de racialização são expressas e vivenciadas — por meio de práticas corporais, emoções e silêncios, mais do que por meio do discurso verbal — orientaram reformulações metodológicas que foram além da não diretividade e da atenção aos imponderáveis, características da etnografia, em direção a um foco nas situações e ocasiões do cotidiano. Em conclusão, ambivalência e ambiguidade se tornaram não apenas categorias teóricas, mas também modos centrais de fazer em meu trabalho. O artigo constitui uma contribuição para as discussões sobre a relação entre objeto, teoria e metodologia na prática etnográfica, bem como para as modalidades de documentação e análise de práticas de racialização e racismo em contextos em que essas práticas são negadas no discurso verbal.
This article traces the relationships between the research object, methodological strategies, and theoretical construction, as they evolved throughout my doctoral research, conducted between 2015 and 2022 in Viedma (Río Negro, Argentina) with Mapuche individuals and those who acknowledge ancestry from that people. Through a committed ethnography focused on observing and participating in activities and projects developed by Mapuche collectives, as well as interviews with participants involved in these efforts, the research centered on the ethnic-racial othering experienced and exerted upon the Mapuche people. Over the course of the work, I came to understand that many people’s uncertainty about how to name or position themselves publicly was connected to circulating stereotypes concerning both being Mapuche and being Argentine. These stereotypes intertwine with discourses around purity, mestizaje, and loss of identity, operating through a logic of dual ambivalence or discrimination that gives rise to everyday expressions of racism steeped in suspicion. The ambiguous and implicit ways in which racialization is expressed and experienced—through bodily practices, emotions, and silences more than verbal discourse—influenced methodological shifts that moved beyond the traditional non-directiveness and sensitivity to unpredictability in ethnography, toward a focus on everyday situations and moments. In conclusion, ambivalence and ambiguity emerged not only as theoretical categories but also as central methodological approaches in my work. This article contributes to discussions about the relationship between object, theory, and methodology in ethnographic practice and the ways in which practices of racialization and racism can be documented and analyzed in contexts where they are denied at the level of verbal discourse.
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