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Leahy, Renata Costa
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This article aims to reflect on how the body and memory engage and culminate in artisanal know-how, with a particular focus on bobbin lace-making in Saubara, Bahia. It presents a theoretical discussion anchored in a real-world example to emphasize the manual dexterity inherent in the creation process, highlighting the dimension of sensibility in this activity through the activation of memory by the body. We recognize that cultural practices, shaped and maintained by collective memory, play a crucial role in constructing community identity, serving both as an anchor that preserves knowledge and memory related to bobbin lace-making and as a foundation for developing each lacemaker’s individual know-how. The hands, endowed with unique dexterity, emerge as the very essence of this body, fully manifesting themselves in the act of lace-making through embodied experience and interaction with the surrounding world. For this reflection, we employ a conceptual framework ranging from Merleau-Ponty’s (1994) phenomenology of the body, and the sociological perspectives of Mauss (2003) and Le Breton (2007), to studies on memory, culture, and lace-making, including Pollak (1989) and Fechine (2013), as well as socio-historical investigations and surveys on lace such as those by Ramos and Ramos (1948), Girão (1984), and Felippi (2021). This research contributes to academic reflections on artisanal practices by presenting a phenomenological approach that articulates studies of the body and memory.
Este artigo tem como objetivo refletir sobre como corpo e memória se engajam e culminam no saber-fazer artesanal, com foco especial na renda de bilros em Saubara, na Bahia. Trata-se de uma discussão teórica, ancorada em uma realidade utilizada como exemplo de reflexão, que enfatiza a destreza manual presente no processo de criação e destaca a dimensão sensível da atividade. Reconhecemos que as práticas culturais, moldadas e mantidas pela memória coletiva, desempenham um papel crucial na construção da identidade da comunidade, funcionando como âncoras que preservam o conhecimento e a memória relacionados ao saber-fazer da renda de bilros, ao mesmo tempo em que servem de base para o desenvolvimento do saber-fazer individual de cada rendeira. As mãos, dotadas de uma destreza singular, emergem como a própria essência desse corpo, manifestando-se plenamente no ato de rendar por meio de sua experiência encarnada e de sua interação com o mundo ao redor. Para esta reflexão, utilizamos um arcabouço conceitual que abrange desde a fenomenologia do corpo de Merleau-Ponty (1994), passando pelas contribuições sociológicas de Mauss (2003) e Le Breton (2007), até os estudos sobre memória, cultura e renda, como Pollak (1989) e Fechine (2013), além de investigações e levantamentos socio-históricos sobre as rendas, como os de Ramos e Ramos (1948), Girão (1984) e Felippi (2021). Esta investigação contribui para as reflexões acadêmicas sobre práticas artesanais ao apresentar uma abordagem fenomenológica, promovendo uma articulação entre os estudos do corpo e da memória.
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