Este artigo propõe uma leitura filosófica do funk carioca a partir da obra de Friedrich Nietzsche, especialmente com base nos conceitos de apolíneo, dionisíaco, transvaloração de valores e vontade de potência. Compreendido como uma manifestação estética e ética das periferias urbanas brasileiras, o funk é interpretado aqui como uma forma de cultura corporal dionisíaca — ou seja, uma expressão que afirma o corpo, o desejo e o prazer como fundamentos de uma nova sensibilidade. A análise contempla produções de artistas como MC Carol, Ludmilla, Anitta e Mr. Catra, ressaltando como suas músicas e performances operam uma ruptura com os valores da moral judaico-cristã e propõem novos códigos éticos e estéticos. O funk, nesse sentido, é pensado como prática filosófica popular, que resiste à normatividade hegemônica e afirma modos de existência pautados na intensidade, na coletividade e na potência dos corpos. Conclui-se que o funk carioca, ao encarnar uma ética afirmativa da vida, constitui-se como linguagem estética de resistência e criação, capaz de produzir pensamento a partir da experiência sensível e de contestar os pilares da moral dominante.
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