Santiago, Chile
La creciente privatización y desacralización del espacio público que hemos estado viviendo por ya varias décadas, ha instalado a muchos de nuestros espacios públicos, como plazas, pampas, parques, etc., en una situación precaria, en dónde el valor de lo público se desvanece ante los apetitos del mundo capitalista. Entre estos espacios, los lugares religiosos de culto popular se han convertido en territorios en conflicto. Es precisamente uno de estos espacios que aquí queremos analizar: las Grutas de Lourdes en Chile. Estos espacios existen en todo nuestro territorio y han surgido en su mayoría espontáneamente producto de la voluntad de las colectividades que las han erigido. Lo que aquí queremos examinar son primeramente los antecedentes de estos espacios, los cuales, como podremos apreciar, desde muy antiguo surgieron como espacios de encuentro entre la esfera de lo humano y lo trascendental. Estos espacios liminales dieron cabida al encuentro de estas dos esferas, en donde las divinidades han mutado, pero el interés, la devoción y el culto mantenido por sus feligreses, les han permitido conservarse durante siglos como parte de la identidad popular en cada una de las localidades en donde han surgido. El caso de la Virgen de Lourdes constituye una muy particular hierofanía, al manifestarse principalmente en grutas que constituyen parte del espacio público y en muchos casos del entorno natural en el cual se emplazan, logrando con ellos fusionar sincréticamente la herencia religiosa europea con la amerindia, pues la espiritualidad de los pueblos originarios era ante todo expresada en espacios abiertos y entornos naturales. El valor de estos espacios reside entonces en ser espacios liminales y sincréticos, que forman parte del patrimonio colectivo de sus pueblos, y por ello requieren ser preservados, reconocidos y valorados.
The growing privatisation and desacralisation of public space that we have been experiencing for several decades now has placed many of our public spaces, such as squares, pampas, parks, etc., in a precarious situation, where the value of the public vanish-es in the face of the appetites of the capitalist world. Among these spaces, religious places of popular worship have become territories in conflict. It is precisely one of these spaces that we wish to analyse here: the Lourdes Caves in Chile. These spaces exist throughout our territory and have arisen mostly spontaneously as a result of the will of the communi-ties that have erected them. What we want to examine here is first of all the background of these spaces, which, as we can see, have emerged since ancient times as meeting places between the sphere of the human and the transcendental. These liminal spaces gave room for the meeting of these two spheres, where the divinities have mutated, but the interest, devotion and worship maintained by their parishioners have allowed them to be preserved for centuries as part of the popular identity in each of the localities where they have arisen.The case of the Virgin of Lourdes constitutes a very particular hierophany, as it manifests itself mainly in caves that are part of the public space and in many cases of the natural en-vironment in which they are located, thus managing to syncretically merge the European and Amerindian religious heritage, as the spirituality of the original peoples was above all expressed in open spaces and natural environments. The value of these spaces lies then in their being liminal and syncretic spaces, which form part of the collective heritage of their peoples, and therefore need to be preserved, recog-nised and valued.
A crescente privatização e dessacralização do espaço público que estamos viven-ciando há várias décadas colocou muitos de nossos espaços públicos, como praças, pam-pas, parques, etc., em uma situação precária, em que o valor do público desaparece diante dos apetites do mundo capitalista. Entre esses espaços, os locais religiosos de culto popular se tornaram territórios em conflito. É exatamente um desses espaços que queremos anali-sar aqui: as Grutas de Lourdes, no Chile. Esses espaços existem em todo o nosso território e surgiram, em sua maioria, espontaneamente, como resultado da vontade das comuni-dades que os ergueram. O que queremos examinar aqui é, em primeiro lugar, o histórico desses espaços, que, como podemos ver, surgiram desde tempos muito antigos como lo-cais de encontro entre a esfera do humano e do transcendental. Esses espaços liminares deram lugar ao encontro dessas duas esferas, onde as divindades sofreram mutações, mas o interesse, a devoção e o culto mantidos por seus paroquianos permitiram que fossem preservados por séculos como parte da identidade popular em cada uma das localidades onde surgiram. O caso da Virgem de Lourdes constitui uma hierofania muito particular, pois se manifesta principalmente em cavernas que fazem parte do espaço público e, em muitos casos, do ambiente natural em que estão localizadas, conseguindo assim fundir sincreticamente o patrimônio religioso europeu e ameríndio, já que a espiritualidade dos povos originários se expressava principalmente em espaços abertos e ambientes naturais. O valor desses espaços reside, então, no fato de serem espaços liminares e sincréticos, que fazem parte do patrimônio coletivo de seus povos e, portanto, precisam ser preservados, reconhecidos e valorizados.
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