Thaís Piffano Oliveira
, Priscilla Alves Peixoto
Acompanhamos a trajetória teórica de Kenneth Frampton, com atenção especial na transição entre os conceitos de ‘regionalismo crítico’ e ‘tectônica’. A partir de textos publicados entre as décadas de 1980 e 1990, além da quarta edição ampliada de Modern Architecture: A Critical History, o estudo busca compreender como Frampton reelabora seu vocabulário conceitual em resposta a críticas e tensões culturais, sociais e políticas de seu tempo. Longe de indicar uma ruptura, essa transição é interpretada como parte de um mesmo projeto teórico —uma agenda crítica em transformação, mas fiel ao compromisso de defesa de uma arquitetura moderna atenta às especificidades materiais e culturais, em oposição às logicas de homogeneização. A leitura proposta articula os referenciais teórico-metodológicos da história dos conceitos e a biografia intelectual para observar como certos termos e noções são mobilizados, deslocados e ressignificados ao longo da obra do autor. Se engaja, portanto, numa escrita da história atenta à construção textual de termos, palavras e noções, ao mesmo tempo implicados no curso de uma vida vivida. Ao analisar as fricções entre linguagem, crítica e contexto nos escritos de Frampton, o artigo sugere que a mudança de vocabulário pode ser lida também como forma de autocrítica, e como resposta às exigências de um pensamento arquitetônico mais atento às complexidades do mundo contemporâneo.
Este artículo explora la trayectoria teórica de Kenneth Frampton, con énfasis en su transición del concepto de regionalismo crítico hacia un enfoque más centrado en la tectónica y la forma transcultural. Basado en sus publicaciones de las décadas de 1980 y 1990, incluida la cuarta edición ampliada de Modern Architecture: A Critical History (2007), el estudio analiza cómo Frampton revisó y desarrolló sus teorías, alejándose gradualmente del regionalismo crítico en respuesta a las críticas y desafíos impuestos por la globalización. Además de examinar la influencia de pensadores como Paul Ricoeur y Manfredo Tafuri, el artículo discute la contribución de Frampton al debate arquitectónico contemporáneo, especialmente en lo que respecta a la resistencia a la homogeneización cultural y la defensa de una arquitectura sensible a las particularidades locales y materiales. El análisis también incluye su interpretación de obras de arquitectos globales como Álvaro Siza, Tadao Ando, Rafael Moneo y Jørn Utzon, revelando la continuidad de sus preocupaciones éticas y políticas. El artículo concluye que tanto el regionalismo crítico como la tectónica representan partes fundamentales de un proyecto teórico más amplio de Frampton, enfocado en la construcción de una arquitectura de resistencia y de relevancia global.
This article investigates Kenneth Frampton’s theoretical trajectory, with particular attention to the transition between the concepts of “critical regionalism” and “tectonics.” Drawing on texts published throughout the 1980s and 1990s, as well as the expanded fourth edition of Modern Architecture: A Critical History, the study seeks to understand how Frampton reworks his conceptual vocabulary in response to the cultural, social, and political tensions and critiques of his time. Rather than signaling a rupture, this shift is interpreted as part of a continuous theoretical project — a critical agenda in transformation, yet committed to defending a modern architecture attentive to material and cultural specificities, in contrast to the logics of homogenization. The proposed reading articulates the theoretical-methodological frameworks of conceptual history and intellectual biography, in order to observe how certain terms and notions are mobilized, displaced, and resignified throughout the author’s work. The article is thus engaged in a mode of historical writing attentive to the textual construction of terms, words, and notions that are simultaneously implicated in the course of a lived life. By analyzing the frictions between language, critique, and context in Frampton’s writings, the article argues that his change in vocabulary may also be read as a form of self-critique and as a response to the demands of a more contextually aware architectural thought in the contemporary world.
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