O último quarto do século XVIII foi marcado por uma série de transformações ocorridas na Península Ibérica, que tiveram repercussões fundamentais na América espanhola. O decreto de expulsão da Companhia de Jesus, assim como a separação da administração temporal e religiosa nos territórios da antiga Província Jesuítica do Paraguai, possibilitou aos administradores laicos entrar em contato com a população indígena missioneira, que antes estava sob a égide dos jesuítas. A proposta deste artigo é analisar a construção discursiva dos agentes laicos da Coroa sobre as populações nativas, privilegiando a interpretação dos documentos relativos à administração da justiça, produzidos durante os anos 1768 e 1800. Buscaremos apreender as formas de tradução da alteridade indígena, operadas nos processos-crime, tendo em vista a atuação dos administradores laicos enquanto agentes deste processo.
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