Neste trabalho, pretendo desenvolver uma análise sobre os desafios e potenciais de ações emergenciais em prol da segurança alimentar de populações vulneráveis durante a pandemia. Esta reflexão tem como apoio a minha atuação como avaliadora e assessora sociotécnica de projetos submetidos à Chamada Pública para Apoio a Ações Emergenciais junto a populações vulneráveis, patrocinada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) ao longo de 2020. A oportunidade de acompanhar cinco diferentes projetos com o mesmo objetivo e critérios de seleção ao longo de onze meses (em fevereiro 2021), me levou a fazer algumas inferências acerca do potencial emancipatório dessas ações e da sua capacidade para criar outras normalidades póscovid com base agroecológica, posto que quatro destes envolvem agroecologia. No processo, eu fui levada a concluir que aquelas que não se limitaram à mera doação de alimentos industrializados, e estimularam processos de mais longo prazo, apoiados na agroecologia, na economia popular, na autogestão e em uma solidariedade ativa, potencializaram alternativas em pequena escala e territorializadas, que são as sementes de onde podem florescer outras normalidades, social e ambientalmente mais justas do que a velha normalidade pré-Covid-19.
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