Brasil
Este artigo problematiza a noção de anthropos formado na modernidade como modelo universal de humanidade. Assim, o questionamento principal é como a consolidação desse universal acontece ao negar as constituições existenciais e culturais do Outro. Uma dessas negações direciona-se para a memória ancestral, tanto que no primeiro momento tratamos essa negação como alicerce do projeto moderno no sentido de exterminar as potencialidades de outras maneiras de compartilhar a vivência no mundo. Com base nesse cenário, buscamos elucidar as estratégias de dominação do discurso colonial pela “ação colonial de extermínio da memória” em um diálogo com bell hooks (2017) e Saidiya Hartman (2021). Em seguida, a análise dessas estratégias concentra-se na violência colonial que instrumentaliza a “boca” (KILOMBA, 2019) para silenciar as pessoas colonizadas e posicioná-las como subjetividades subalternizadas. Mas também propomos a revitalização da memória ao fazer uso do conceito de “transfluência” de Antônio Bispo dos Santos (2019) em articulação com o de “opacidade” de Edouard Glissant (2021). Essa articulação visa superar essa ação de dominação hegemônica que impõe ao Outro o apagamento de sua memória ancestral. Enfim, entendemos que essa re-vitalização produz resistência ao maquinário de destruição colonial, estabelecendo uma oportunidade de gerar um conhecimento fora das terminologias hierarquizantes e dominantes do anthropos.
This article problematizes the notion of anthropos formed in modernity as a universal model of humanity. Thus, the main question is how the consolidation of this universal happens by denying the existential and cultural constitutions of the Other. One of these denials is directed to the ancestral memory, so much so that at first we treat this denial as the foundation of the modern project in order to exterminate the potentialities of other ways of sharing the experience in the world. Based on this scenario, we seek to elucidate the strategies of domination of colonial discourse by the "colonial action of extermination of memory" in a dialogue with bell hooks (2017) and Saidiya Hartman (2021). Then, the analysis of these strategies focuses on colonial violence that instrumentalizes the "mouth" (KILOMBA, 2019) to silence colonized people and position them as subalternized subjectivities. But we also propose the vitalization of memory by making use of the concept of "transfluency" of Antônio Bispo dos Santos (2019) in conjunction with the "opacity" of Edouard Glissant (2021). This articulation aims to overcome this action of hegemonic domination that imposes on the Other the payment of his ancestral memory. Finally, we understand that this vitalization produces resistance to the machinery of colonial destruction, establishing an opportunity to generate knowledge outside the hieralist and dominant terminologies of anthropos.
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