Novas pesquisas sobre a cultura de consumo e a feminilidade operárianos Estados Unidos têm argumentado que a atenção dada pelas jovens operárias àroupa da moda e aos romances populares não minou as identidades proletárias,mas, pelo contrário, providenciou importantes recursos pra criar essas identidades.Neste artigo considero se podemos encontrar um processo similar de apropriaçãoentre as mulheres operárias na América Latina. Mulheres operárias nas fábricaslatino-americanas tinham que lidar com o desprezo geral para com a mulher quetrabalhava em fábrica. Examinando, em primeiro lugar, os Centros de Aprendi-zado Doméstico em São Paulo, fundados pelas associações patronais, demonstroque a “feminilidade decente” nesses centros – frequentados por milhares de mulheres da classe operária – refletia noções da “dona de casa qualificada” construídasdentro da classe média, e identificou a mulher da classe operária como “quase”de classe média. Nesse caso, encontramos um processo de “aproximação,” em vezde apropriação. Em seguida considero o caso da Argentina (especificamente, GrandeBuenos Aires), onde o peronismo também promoveu o papel “tradicional” damulher da classe operária, mas, nesse contexto, destaco o impacto de Eva Perón nopapel de heroína das trabalhadoras. A figura de Evita – repugnante às mulheres das classes privilegiadas – tornou-se um meio para a construção de uma feminilidade alternativa e classista para as mulheres operárias argentinas.
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