Ao apresentar sua ideia de “cinema de poesia”, Pier Paolo Pasolini pontua que oautor cinematográfico vale-se sempre, necessariamente, de uma dupla operação, que éprimeiramente linguística e, depois, estética, para a construção de sua obra, em um processoque faz do cinema um meio de “violência expressiva” e “fundamental metaforicidade”. É sobessa ótica que se propõe neste texto uma reflexão sobre o premiado filme Casa vazia, de2004, dirigido pelo cineasta sul-coreano Kim Ki-duk, o qual acompanha as errâncias dojovem Tae-suk, que costuma invadir casas que se encontram temporariamente vazias e nelasmorar até o retorno de seus habitantes regulares. A casa vazia aparece aqui acompanhada pelosilêncio violento que marca boa parte do filme: o protagonista, espécie fantasmática, não dizuma palavra sequer. A força poética da narrativa fílmica parece residir justamente naarticulação das imagens ao silêncio e ao vazio que ele representa, em seu impactocontemplativo, no uso de uma “violência expressiva” que se condensa no não dito que dá atônica do filme e nas irrupções incisivas do mundo concreto, ou do que Pasolini chama de“cinema de prosa”, no universo onírico e irracional do cinema de poesia.
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