Brasil
Publicado em 1976, O beijo da mulher aranha se constitui como um marco naprodução literária do argentino Manuel Puig. No romance, é em meio à condição espacial restrita(o cárcere) em que se encontram os dois protagonistas, Molina e Valentín, que o primeiro começaa contar filmes para o segundo para subverter a realidade dos dois e, ao mesmo tempo, distrair eatrair o outro personagem, conformando uma teia repleta de narrativas minuciosas e de alto teorimagético. Este ato de “contar filmes” constitui narrativas que podem ser aproximadas de umanoção de cinema de poesia tal qual pensada por Luis Buñuel em “Cinema: instrumento de poesia”e por Pier Paolo Pasolini em seu já clássico texto “Cinema de poesia”. O que se propõe nestacomunicação é refletir sobre como o cinema é abordado em O beijo da mulher aranha por meiodas narrativas tecidas por Molina, nas quais tanto a referência direta a filmes relevantes para oautor quanto a criação de filmes “inexistentes”, decorrentes dessa memória cinematográfica,convergem para o âmbito da linguagem escrita, em que realidade e sonho aparecem como ospolos que emolduram palavra e imagem para formar um cinema marcado pela linguagem poética.
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