Socorro, Portugal
Cientes de que uma mudança de ângulo interpretativo pode ajudar a alterar não sóa nossa perspetiva analítica, mas muito especialmente a própria substância da nossa visão,nesta palestra pretendo apresentar uma visão panorâmica – e, portanto, necessariamenteparcial (no duplo sentido deste adjetivo) – da obra de Dora Ferreira da Silva. Assim, estepercurso de (re)leitura e análise crítica centrará-se basicamente nas mitografias resultantes dasua (re)elaboração lírica muito pessoal e do não menos particular aggiornamentointerpretativo de uma certa e varia mitologia ocidental. Pretendi, principalmente, estruturarum duplo percurso crítico a partir tanto da apurada apropriação atualizadora quanto da exatareescrita poética dos mitos presentes na obra doriana: não só, ainda que de maneira preferente,dos mitos fundadores, sempiternos e omnipresentes, da Antiguidade, mas também de algumoutro mito contemporâneo que, de maneira mais ocasional e insólita, nasce com as poéticas damodernidade ocidental, como, para só citar dois exemplos paradigmáticos, o da mitografiaedificada por ela a respeito da urbe disforme, assim como o erigido em relação às afinidadeseletivas de alguns dos seus irmãos e irmãs de sombra literários.
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