Dora Ferreira da Silva (1918-2006), poeta e tradutora, assim como Hilda Hilst(1930-2004), poeta, dramaturga e ficcionista, foram duas vozes marcantes em suageração, agraciadas com importantes prêmios e com uma densa produção poética queretoma os mitos e as imagens arquetípicas fundantes da condição humana. Ambasescreveram poemas representativos da procura pela criação poética e da interlocução dopoeta com a sacralidade da criação. O ofício poético, para Dora e Hilda, é uma via paracompreensão das estruturas profundas da psique humana, as quais se imiscuem delinguagem simbólica e propiciam o alcance de um tempo infinito e primeiro, o tempototal da poesia. Para tanto, essas escritoras paulistas resgatam o dinamismo interno dosmitos e dentre as várias imagens presentes em seus versos, uma as aproxima: “pássaro”.Contemplemos essa imagem nos trechos de dois poemas que constituem nosso corpusde estudo, “Mulher pássaro”, da obra Poesia Reunida de Dora Ferreira da Silva (1999) ecanto I de Amavisse, da coletânea Do desejo, de Hilda Hilst (2004): “O pássaro /debate-se no meu peito. / Ou coração?”(SILVA, 1999, p. 282). “Carrega-me contigo,Pássaro-Poesia / Quando cruzares o Amanhã, a luz, o impossível”(HILST, 2004, p. 42).
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