In 1960 Lygia Fagundes Telles traveled to China at the invitation of the communist regime. Her impressions were published at the time in the newspaper Última Hora and later gathered in the book Passporte para a China (2011). This article analyzes Lygia's impressions about China based on her contact with two women in the Maoist regime. The work also examines how her chronicles dialog with the tradition of the travel narrative, specifically in relation to reports about the East. As a result, the articles present aspects related to the constitution of a chronicler’s identity and at the same time unveil tensions in gender and class relations in Maoist China. Moreover, based on the Chinese case, the chronicles enable Brazilian readers to formulate new perspectives regarding gender issues in their own country.
Em 1960, Lygia Fagundes Telles partiu para uma viagem à China a convite do regime comunista. Suas impressões foram registradas nas crônicas publicadas à época no jornal Última Hora e posteriormente reunidas no livro Passaporte para a China (2011). O presente artigo analisa as impressões que Lygia tece sobre a China a partir do encontro com duas mulheres no regime maoísta. Além disso, o trabalho discorre sobre como suas crônicas dialogam com a tradição da narrativa de viagem, especificamente em relação aos relatos sobre o Oriente. Como resultado, observa-se que as crônicas sinalizam aspectos relativos à constituição de uma identidade da cronista ao mesmo tempo que permitem observar tensões nas relações de gênero e classe na China maoísta, além de, a partir do caso chinês, viabilizarem uma reconfiguração do olhar do seu leitor a respeito das questões de gênero em nosso país.
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