Brasil
Num livro fascinante sobre a relação da poeta H.D. (Hilda Doolittle) com Freud – com quem ela fez análise em 1933 e 1934 – a crítica literária Susan Stanford Friedman (2002:237) registra as trocas de presentes entre eles. Insistindo numa carta para que a família aceitasse a oferta de Freud de mandar um filhote de Chow-Chow para sua filha, Perdita, H.D. expressa sua expectativa de que a contrapartida dessa aceitação fosse a publicação, por Freud, da sua “nova teoria”: “Sua idéia é de que todas as mulheres, e não apenas as lésbicas ou bissexuais, têm inveja do pênis.” Sentindo-se parte do grupo de mulheres pacientes que “instigavam” Freud a produzir suas teorias, e vendo nessa teoria não apenas sua participação, mas também uma grande descoberta – que ao mesmo tempo tirava as lésbicas, como ela, do gueto, e as punha no mesmo patamar das outras mulheres – H.D. queria demonstrar simpatia pelo cachorrinho, achando que uma recusa poderia, quem sabe, indispor Freud contra as lésbicas, e talvez levá-lo a repensar sua teoria.
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