The manifest conviction in modern romance that the narrator’s intent to represent reality would be ideological from the start, even before any ideological content, points to a crisis in the narration act itself, placed thereafter under suspicion, as to tell a story would mean to impart an order to the chaos of events, and, in a certain way, to provide meaning, by means of a discursive trick, to what makes no sense. In the end of the XX century, such a skepticism in respect of the epical objectiveness increased, so opening more space by the time for reports in the first person, through which narrative is characterized as an instrument of power. By this approach, the text presents a reflection on the contemporary Brazilin literature, by taking Sérgio Sant’Anna’s fictional work as a base.
A convicção manifesta no romance moderno de que, antes de qualquer conteúdo ideológico, já seria ideológica a própria pretensão do narrador de representar a realidade, aponta para a crise do ato mesmo de narrar, daí por diante colocado sob suspeita, já que contar uma história significaria imprimir uma ordem ao caos dos acontecimentos e, de alguma forma, conferir sentido, através de um ardil discursivo, ao que não tem sentido. No final do século XX, esse ceticismo em relação à objetividade épica acentuou-se, abrindo cada vez mais espaço para os relatos em primeira pessoa em que se problematiza a narrativa como instrumento de poder. Por esse viés, o texto apresenta uma reflexão sobre a literatura brasileira contemporânea, tomando como base a ficção de Sérgio Sant’Anna.
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