Brasil
In recent decades, the succession of catastrophes in the most different scales and dimensions of social life caused the debate on the limits of the capitalist mode of production to proliferate. Within the critique of political economy, efforts were made to apprehend such catastrophes as manifestations of the contradictions of capital. In this article, based on propositions by João Bernardo (2018), we seek to contribute to this critical debate through a reflection anchored both in the fundamental trends of capitalist accumulation and in the historical experiences diverses as Nazism and Stalinism, as well as in contemporary social phenomena, among them the growing forced displacements, mass incarceration, and compulsory labor, verified on a global scale. It will be argued that it is inherent to capital, as virtuality, the construction of a horizon characterized by direct violence as universal social mediation, by the militarization and ghettoization of society, by the use of terrorist practices of social domination, and by the expansion of compulsory modalities of labour. And that such virtuality becomes even more threatening as capital sinks deeper and deeper into its chronic crisis of overaccumulation, due to the lack of consolidation of a revolutionary horizon capable of antagonizing it.
Nas últimas décadas, a sucessão de catástrofes nas mais diferentes escalas e dimensões da vida social fez pulular o debate sobre os limites do modo de produção capitalista. No interior da crítica da economia política envidou-se esforços no sentido de apreender tais catástrofes como manifestações das contradições do capital. Nesse artigo, a partir de proposições de João Bernardo (2018) busca-se contribuir com esse debate crítico por meio de reflexão ancorada tanto nas tendências fundamentais da acumulação capitalista, quanto em experiências históricas tão diversas como a do nazismo e a do stalinismo, bem como em fenômenos sociais contemporâneos, dentre eles o dos crescentes deslocamentos forçados, o do encarceramento em massa, e o do trabalho compulsório, verificados em escala global. Argumentar-se-á que é inerente ao capital, enquanto virtualidade, a construção de um horizonte caracterizado pela violência direta como mediação social universal, pela militarização e guetificação da sociedade, pelo emprego de práticas terroristas de dominação social, e pela expansão de modalidades compulsórias de trabalho. E que tal virtualidade torna-se ainda mais ameaçadora na medida em que o capital se afunda cada vez mais em sua crise crônica de sobreacumulação, à falta de consolidação de um horizonte revolucionário capaz de lhe antagonizar.
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