Senhora da Saúde, Portugal
Partilhamos uma leitura de um caso central da literatura juvenil portuguesa contemporânea. Supergigante (2014) é também um objeto estético que se toca, vê e lê de acordo com várias gramáticas. Pretendemos usá-las para trabalhar, intratextualmente, a personagem do adolescente que, no mesmo dia, experiencia a perda do avô e o seu primeiro beijo num violento choque de emoções; e, paratextualmente, descodificar a materialização da leitura literária que, através do texto de Ana Pessoa e da ilustração de Bernardo P. Carvalho, se faz jogando também com as dificuldades em lutar com o peso gravitacional do lugar e do tempo na adolescência. Joga-se com a intensidade, a velocidade, do tempo de ser e de dizer, tudo em excesso. Edgar, protagonista e narrador, é um corpo que adolesce abruptamente como numa explosão cósmica. Exprimi-lo é confessar logo na primeira linha: “Eu corro e não avanço.”
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