A narrativa contemporânea enlaça, cada vez mais, ficção e autobiografia, com textos em primeira pessoa que tensionam a barreira, antes fixa, entre o fato e o mito. Produções coletivas, escrita do ghost writer, espetacularização do autor para além do texto são reverberações do contexto contemporâneo de produção literária e biográfica. Nesse sentido, este artigo aborda a instabilidade das figurações do autor no contexto atual, dando destaque à escrita autobiográfica, através do diálogo entre teóricos renomados, como Foucault e Barthes, e estudos contemporâneos, como os de Contreras e Ludmer. O autor sempre existiu, mas sua função e sua imagem são variáveis. A partir das novas relações com o texto e com o leitor, especialmente pelo desenvolvimento tecnológico e seus ecos nas relações sociais, o autor passa a viver entre a expropriação e a diluição da autoria, transitando espaços diversos ao longo do tempo e hoje sua imagem cambia entre a pessoa e a performance; entre o literário e o biográfico; entre o construção texto e a (re)construção de si.
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