This article analyzes the debate in the Brazilian mainstream press about the agreement signed between Rede Globo and midia conglomerate Time-Life in 1962. It seeks to illuminate the position of the main newspapers within the complex political configuration created by the military coup in 1964. The debate originated in the Rio de Janeiro that year revolved around the unconstitutionality of foreign investments in national media companies. Carlos Lacerda, then governor of Guanabara, carried out a real public campaign of denunciation considering the agreement antinational and in violation of the Constitution (which prohibited foreign groups from owning or investing in media companies). In 1966, the public discussion had expanded to São Paulo, and the pressure exerted by the press had the Parliament forced to formally investigate the agreement. In March 1967, the federal government declared the allegations unfounded, closing the inquiry. The article contributes to the debate about the historicization of the political process developed in those first three years of government and the complex place the press had in it.
O presente artigo analisa o debate ocorrido na grande imprensa sobre o acordo assinado entre a Rede Globo e o conglomerado norte-americano Time-Life em 1962, iluminando o posicionamento dos jornais dentro da nova e complexa configuração política suscitada pelo golpe militar. O debate originado nos jornais cariocas em 1964 girou em torno à inconstitucionalidade dos investimentos estrangeiros nas empresas jornalísticas nacionais. Carlos Lacerda, então governador da Guanabara, levou adiante uma verdadeira campanha pública de denúncia sobre o assunto, por considerar o acordo antinacional e em violação da Constituição (que proibia grupos estrangeiros de intervir em empresas de comunicação). Em 1966, a discussão pública sobre o assunto tinha se expandido a São Paulo, tendo a pressão exercida pela imprensa alcançado um efeito tal que a Câmara dos Deputados se viu forçada a instalar uma CPI para investigar o dito acordo. Em março de 1967, o governo Castelo Branco declarou infundadas as acusações sobre o caso, arquivando o inquérito. O artigo contribui ao debate sobre a historização do processo político conformado durante esses três primeiros anos de governo e o complexo lugar da imprensa nesse momento fundante de edificação da base autoritária do regime que duraria mais de duas décadas.
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