La Batalla de Maratón, librada entre atenienses, plateos y persas en el año 490 a. C., ha sido presentada en tiempos modernos como uno de los momentos decisivos de la historia humana desde las afirmaciones poéticas de autores de la segunda fase del romanticismo inglés, como Lord Byron (1788-1824) y John Keats (1795-1821). Estos escritores, que crearon en un contexto de guerra, tuvieron un impacto notable (especialmente Byron, quien murió luchando en la Guerra de Independencia de Grecia) en los escritos históricos de militares y estadistas de mediados del siglo XIX, como Las quince batallas decisivas del mundo: de Maratón a Waterloo (1851), de Edward Creasy.
La reconstrucción de la batalla en este libro de historia militar consolidó una interpretación decimonónica del primer enfrentamiento militar entre griegos y persas, dirigida al público victoriano, que llevaba más de tres décadas celebrando la victoria de la coalición liderada por los británicos bajo el mando del Duque de Wellington sobre el emperador francés. Con una perspectiva más amplia, Creasy envió un mensaje claro: la batalla de Maratón forma parte de una narrativa histórica basada en cómo una cadena de batallas decisivas transformó la historia mundial.
Este artículo ofrece un análisis de la influencia de Byron en el retrato de la batalla hecho por Creasy, en el cual los griegos son presentados como la encarnación racional de la civilización occidental en sus comienzos, mientras que los persas aparecen como representantes de un mundo asiático más antiguo, despótico y estático. El retrato encomiástico que Creasy hace de los primeros refleja la imagen romántica de los helenos que lucharon en su guerra de independencia (1821-1832). En cuanto a los segundos, se observa una identificación con los turcos otomanos como amenazas soberbias frente a las entonces modestas fuerzas de Occidente.
De este modo, se cuestiona la afirmación universal de Creasy (aunque nunca sistematizó una teoría de la historia) sobre una gran narrativa histórica que comienza con la batalla de Maratón, a través de una exégesis de su primer argumento.
The Battle of Marathon, fought between the Athenians, the Plateians and Achaemenids in 490 BCE, has been presented in modern times as one of the decisive moments in human history since the poetic statements by second-generation Romantics, such as Lord Byron (1788-1824) and John Keats (1795-1821). They were writing against a backdrop of war and had a remarkable impact (especially Byron, who died fighting in the Greek War of Independence) on the historical writings of mid-19th century generals and statesmen such as Edward Creasy’s The Fifteen Decisive Battles of the World: From Marathon to Waterloo (1851). The latter’s reconstruction of the battle has consolidated a nineteenth-century view of the first military clash between the Greeks and Persians, and was addressed to a Victorian audience (who for more than three decades had been celebrating the victory of the British-led coalition under the command of the Duke of Wellington over the French emperor) with a broader message: the battle of Marathon forms part of a historical narrative based on how a chain of decisive battles changed world history. This article offers a critical analysis of Creasy’s portrayal of the battle of Marathon, in which the Greeks are presented as the rational embodiment of Western civilization, and the Persians are drawn as belonging to an older, despotic, and static Asian world. The encomiastic portrayal that he presents of the former echoes the portrayal of the Greeks who fought in their war of independence (1821-1832) by second-generation Romantics. As for the latter, there is an identification with the Ottoman Turks as superb threats to the modest forces of the West. I address Creasy’s universal claim of a great historical narrative (although he never systematized a theory of history) that begins with the battle of Marathon through an exegesis of his very first argument. Hence, I expect to update the debate on this literary genre in military history through the specific study of one of its greatest exponents.
A Batalha de Maratona, travada entre atenienses, plateus e persas em 490 AEC, tem sido apresentada em tempos modernos como um dos momentos decisivos da história humana desde as afirmações poéticas de autores da segunda fase do romantismo inglês, tais como Lord Byron (1788-1824) e John Keats (1795-1821). Eles escreveram em um cenário de guerra e tiveram um impacto notável (especialmente Byron, que morreu lutando na Guerra da Independência da Grécia) nos escritos históricos de militares e estadistas de meados do século XIX, a exemplo de The Fifteen Decisive Battles of the World: From Marathon to Waterloo (1851), de Edward Creasy. Sua reconstrução da batalha neste livro de história militar consolidou uma interpretação oitocentista do primeiro confronto militar entre gregos e persas, e foi dirigida ao público vitoriano (que há mais de três décadas mantinha-se celebrando a vitória da coalizão liderada pelos britânicos sob o comando do Duque de Wellington sobre o imperador francês) com uma mensagem mais abrangente: a batalha de Maratona faz parte de uma narrativa histórica baseada em como uma cadeia de batalhas decisivas mudou a história mundial. Este artigo oferece uma análise crítica do retrato da batalha feito por Creasy, no qual os gregos são apresentados como a encarnação racional da civilização ocidental em seus primórdios, e os persas como pertencentes a um mundo asiático mais antigo, despótico e estático. O retrato encomiástico que ele apresenta dos primeiros ecoa o retrato dos românticos sobre os helenos que combateram em sua guerra de independência (1821-1832). Quanto aos segundos, nota-se uma identificação com os turcos otomanos como ameaças soberbas às então modestas forças do Ocidente. Problematiza-se, assim, a afirmação universal de Creasy (embora ele nunca tenha sistematizado uma teoria da história) em torno de uma grande narrativa histórica que começa com a batalha de Maratona por meio de uma exegese de seu primeiro argumento. Espera-se, com isso, atualizar a discussão em torno desse gênero literário na história militar a partir do estudo específico de um dos seus maiores expoentes.
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