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Casas de madeira

Imagen de portada del libro Casas de madeira

Información General

  • Autores: Nicola Braghieri
  • Editores: Barcelona : Editorial Gustavo Gili, S.L.
  • Año de publicación: 2005
  • País: España
  • Idioma: portugués
  • ISBN: 84-252-2032-7

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Índice




  • Índice de conteúdos:



    Introdução


    Dragspelhuset
     
    Casa Rusz
     
    Casa Moosmann-Hämmerle
     
    Casa Saiko
     
    Casa Kern
     
    Ampliação da casa Denicolà
     
    Casa Hirsbrunner
     
    Casa Bearth-Candinas
     
    Casa Willimann-Lötscher
     
    Residência Moore
     
    Casa Innfeld
     
    Vila B
     
    Vila Manke
     
    Residência em Reinbek
     
    Vila Eila
     
    Casa Touch
     
    Casa Greenwood
     
    Casa Murphy
     
    Residência em Zinal
     
    Residência em Klosterneuburg

    Casa Pavi
     
    Pequena casa com atelier
     
    Cabana T 2001
     
    Casa Müller
     
    Casa Ugarte

    Celeiro Flato/Taliaferro

    Residência em Flawill
     
    Casa de férias

    Reconversão de um palheiro em Cortegaça

    Residência em Caglio

    Casa Convercey

    Casa View Silo

    Igreja spiert aviert

    O sole mio

    Casa Faith
     
    GucklHupf


    Biografias


Descripción principal


  • Conta a lenda que quando o homem abandonou a caverna, o seu refúgio de pedra, construiu uma cabana de troncos. E inventou assim a arquitectura. Uma casa de madeira traz consigo a sabedoria do artesão e as leis da tradição. A enorme adoração que este material provoca em muitos arquitectos e uma difundida cultura manual dos artesãos mais conhecedores acalmaram também os ânimos mais inquietos daqueles projectistas habituados às mais incríveis originalidades.

Extracto del libro


  • Texto da introdução:


    'Mesmo que eu soubesse que o mundo acabava amanhã,
    hoje plantaria, de qualquer maneira, uma nova macieira


    Martim Lutero, aprox. 1530


    No princípio havia a árvore...

    O arquétipo da casa é sempre representado como uma cabana feita de árvores. Lembramos as imagens daquela de Adão no Paraíso, daquela do bom selvagem, aquelas dos animais de Richard Scarry...

    A lenda conta que quando o homem abandonou a gruta, o seu refúgio de pedra, abandonou também a escuridão e o medo. Saiu e construiu a sua cabana de madeira, limpa e arejada. Inventou assim a arquitectura. De acordo com a tradição literária, voltará a encontrar a pedra.

    No entanto, a recordação da madeira ficará sempre presente nos elementos de ordem clássica, que representariam o papel que tinham na construção primitiva.

    A árvore é um mito antigo, mágico e milagroso, símbolo da vida e do conhecimento, no centro do Além.

    A floresta é o lugar do mistério, impenetrável e fantástico, refúgio de bandidos e druidas, de animais ferozes e de caça abundante, onde cresce a madeira mais dura e resistente. Escrevia Bernardo de Chiaravalle na sua carta a Enrico Murdach: 'Acredita em quem tem a experiência: nas florestas encontrarás mais do que nos livros. A árvore e as rochas ensinar-te-ão o que não poderás aprender dos mestres'.

    A grandeza da árvore de Deus é a alegoria da obra de arte medieval alemã, a catedral de Estrasburgo. Uma floresta em que as majestosas árvores se elevam como troncos poderosos e protegem a comunidade com a sua folhagem serrada de ramos. Mas a catedral não é uma floresta. É de gelo, fria e cinzenta como o mármore.

    Toda a cristandade mantém vivo o mito ancestral da árvore nas suas formas mais antigas, como o símbolo da cruz, sinal de salvação e ressurreição; mas também pelos seus aspectos laicos e populares como a árvore de Natal, aquela dos noivos ou a da abundância.

    Uma casa de madeira, portanto, é uma casa feita de árvores. A madeira é um material de utilização técnica heterogénea com possibilidades de construção infinitas. Evidência disso encontra-se presente na grande virtuosidade da parte dos povos navegadores e construtores especializados de navios. Por outro lado encontra uma utilização maciça e elementar da parte dos povos da montanha, tão ricos de matéria-prima como obstinados defensores das suas tradições. A madeira é material estrutural e também revestimento de edifícios em tijolo, cobertura de estruturas de pilares e material para separação de interiores. Tem excelentes qualidades tanto como elemento estrutural que de cobertura: boa resistência com baixa condutibilidade térmica. Mas a sua característica mais importante é a leveza. A sua estrutura porosa, não homogénea, com direcionamento único das fibras, confirma as suas características de força, peso e isolamento.

    Uma casa de madeira evidencia sempre a sua natureza de edifício montado, constituído por elementos preparados com precisão e montados por mãos competentes. É uma casa eterna porque está montada com peças autónomas e substituíveis. Leva consigo a sabedoria do artesanato e as leis da tradição, porque nenhuma tecnologia ou ciência soube jamais ultrapassá-las. Esta é a grande diferença relativamente à arquitectura em tijolo.

    A madeira tornou-se num material refinado, quase um status symbol. Como se fossem peles de luxo, as madeiras raras, encontram aos olhos do homem citadino, a preciosidade da sua raridade e do risco de extinção. No entanto estão demasiado escondidas sob vernizes brilhantes e perdem as suas qualidades naturais. É o triunfo luxuoso do 'bem lavável'. A madeira é um material para acariciar ao natural, a sua maleabilidade e a sua consistência permeável permitem criar superfícies com infinitas variantes tácteis e com a temperatura adequada. Como um sabonete para senhora, desprende o seu perfume discreto, lentamente e com discrição. Não somente soa bem, graças à sua elasticidade, mas vibra também, responde aos sons e às vozes. É a sua sonoridade mítica. O velho artesão conhece todas as propriedades das diferentes essências. Exactamente como o perfeito fabricante de instrumentos musicais utiliza o abeto para a tabela harmónica, o ácer para as faixas, o ébano para as protecções, a faia para o cavalete e o salgueiro para o arco, o serralheiro civil utiliza o sobreiro para o caixilho, o buxo para os apoios, o pinheiro vermelho para as persianas, o larício para as ripas.

    No meio de um panorama preenchido com 'modernas etnias' e com 'bidonvilles de autor' torna-se cada vez mais complicado distinguir as boas arquitecturas das simples mascaradas. Estas são as que, para além de qualquer problema de linguagem, mantêm sempre uma relação directa entre o material e a sua técnica construtiva. São aquelas que não escondem o desgaste do tempo, mas mostram a beleza de um material eterno, porque sempre vivo e em constante transformação.

    Como dissemos, a madeira é um material ainda vivo. E comporta-se como tal. O risco que corremos é a sua morte. Com essa morte seguirá a morte da construção. Necessita uma execução de conhecedor, de contínua e ligeira manutenção, de perfeita temporização ao substituir as zonas danificadas. Somente assim uma construção de madeira pode durar eternamente. Não teme nada, se constantemente vigiada. Abandoná-la, mesmo brevemente, pode-lhe ser fatal. Tal como uma árvore que saiu do seu cativeiro, necessita de cuidados e atenções constantes, de alimento e apoio. A arquitectura de madeira não deixa espaço aos escombros. Em tempo muito breve a matéria morta volta à terra e ao vento. Permanecem as memórias do homem e o amor por um material eterno, que pode também morrer.

    A madeira como todos os elementos orgânicos, envelhece. Se bem conservada, envelhece bem. As casas construídas com barrotes de larício quando recentes são de cor amarela-avermelhada, mas ao passarem algumas estações as paredes do lado sul tornam-se de cor prateada, a norte cinzentas. Os bancos de teca nos parques britânicos quando novos são lisos e escuros, as chuvas invernais e o sol estival esclarecem-nas em pouco tempo e enchem-nas de fissuras até parecerem feitos de pedra. Os travejamentos em castanho nas pastagens montanhosas perdem a sua cor natural para escurecerem lentamente, até ficarem quase negros.

    A madeira teme a agua e o fogo, seus inimigos eternos. A agua penetra lentamente, e às escondidas deteriora os órgãos vitais. Os povos do norte aprenderam durante milénios a defender-se utilizando os mais variados materiais de protecção desde a folha de chumbo até às telas alcatroadas. Os povos da Europa central protegeram no exterior as suas construções de madeira por meio de paredes de pedra espessa e resistente e construíram em mosaico e pedra as zonas 'húmidas' do interior.

    O fogo, por outro lado, aparece de improviso. E é tarde demais. Nas casas antigas as lareiras, e frequentemente as cozinhas, eram as únicas áreas em pedra. Os incêndios nas pastagens e nos bosques representaram durante milénios o maior terror dos povos das montanhas. Os incêndios propagavam-se de casa para casa destruindo aldeias inteiras somente numa noite. As casas ricas das montanhas da Engadina têm o centro em madeira e somente as paredes exteriores são em tijolo, sem qualquer função estrutural, somente de protecção. As pequenas janelas afuniladas no exterior recolhem a luz para dentro dos seus funis brancos.

    Mas a madeira também é utilizada como revestimento de edifícios em tijolo. Com frequência nas aldeias e nas cidades da Europa central as paredes das casas voltadas para norte não têm janelas e são revestidas com uma protecção. A madeira é um casaco que mantém secas as paredes que nunca vêm o sol, protege da chuva e do vento. Também serve para revestir as paredes do interior das assoalhadas. São os lambris das tabernas francesas e das Holzbank, altas até ao tecto, nas fumosas pensões austríacas. São os painéis de larício das stüve que revestem os refúgios e as salas de espera das estações ferroviárias alpinas.

    O trabalho de investigação tecnológica nos últimos quarenta anos levou a madeira a ser considerada de novo um material fundamental para a construção civil. A confiança cega no progresso tecnológico tinha-a deixado, sem verdadeiros motivos racionais, à margem. Na realidade nos métodos de trabalho tradicionais encontram-se escondidos muitos dos segredos da pré-fabricação mais moderna. A difusão de novos elementos compostos ou associados como por exemplo os travejamentos laminares ou os painéis multi-estratificados e contraplacados, tornaram a sua utilização competitiva sob qualquer aspecto mesmo o económico. Nos países onde fora durante séculos o material nobre encontrou de novo o seu papel fundamental. E os resultados estão à vista de todos. As casas de madeira recentes, fruto da utilização de novos componentes e das respectivas técnicas, não parecem ter perdido o seu encanto desarmante, simples e procurado, de se fazer acariciar, sentir, cheirar e de responder a qualquer estímulo ou solicitação.

    Os edifícios apresentados neste volume não têm somente em comum o facto de serem pequenas habitações construídas em madeira, mas têm também aquela de manter viva a coerência entre o material e a construção, a técnica de execução e a forma arquitectónica. A coerência é a condição que transforma todos os trabalhos, uns mais outros menos, em arquitecturas de qualidade subtil. A madeira, não só pela sua natureza intrínseca, como pelas suas implicações culturais e produtivas, não parece poder provocar revoluções radicais e surpresas inesperadas. A qualidade nota-se nos detalhes e nas pequenas coisas, na nova descoberta das técnicas antigas e na combinação de diferentes essências de madeiras. Uma veneração generalizada deste material por parte de muitos arquitectos e uma extensa cultura manual dos artesãos mais experimentados tornaram sóbrios e tranquilos os espíritos mais rebeldes daqueles projectistas que nos tinham habituado a aceitar as mais inconcebíveis formas de originalidade.



    Nicola Braghieri'



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